Arquivo do autor:Danyelle Fioravanti

Sobre Danyelle Fioravanti

Nasci em São Paulo, mas adotei a vida pertinho do mar, no Rio de Janeiro. Sou curiosa por essência e planejadora de comunicação por consequência. Apaixonada pelas pessoas e suas esquisitices, comecei a viajar por aí, sozinha e de mochila, em busca de boas histórias que conto aqui no Levo na Mochila.

Planejando seu Mochilão pela América do Sul

Deserto do Atacama, Chile.

Deserto do Atacama, Chile.

Quando começamos a planejar a sonhada viagem, seja pela América do Sul ou qualquer outra parte do mundo, algumas perguntas surgem em nossas cabeças. Quando? Quanto? Como?

Acredito que as respostas para a maior parte dessas perguntas são bastante relativas, porque cada pessoa tem seu jeito de viajar, seu ritmo e seus propósitos de viagem. É aí que para mim está a magia dos blogs e fóruns, você pode encontrar pessoas parecidas e diferentes de você, se inspirar nas experiências delas e criar a sua própria maneira de viajar.

Nesse post vou tentar responder algumas dessas perguntas frequentes, a partir da minha experiência viajando sozinha por Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Brasil. Espero ajudar com meus erros e acertos ;)

Vamos lá?

1. Qual a melhor época para viajar pela América do Sul?

As regiões do Altiplano, como Peru, Bolívia e Equador tem seus meses de chuvas entre dezembro e abril. De maio a outubro a região tem seu período seco, considerado o melhor para viajar e por tanto o mais turístico.

O Salar do Uyuni, um dos grandes atrativos da região e para mim a cereja do bolo de uma viagem pela América do Sul, apresenta características bem diferentes em cada um desses períodos e merece uma visita em ambos. Na época seca é possível explorar mais o Salar, chegar mais ao seu interior e ele está branquinho como neve. Eu o visitei nessa época e é uma experiência realmente maravilhosa. Já no período de chuvas o Salar fica coberto por uma camada de água que impede que se chegue tanto ao seu interior, mas que provoca um efeito impressionante. A água no solo reflete o céu e o horizonte se perde, não se sabe o que é céu e o que é chão, provocando a impressão de estar voando. Quero muito voltar nessa época.

Eu e Aurore no Salar de Uyuni. Época Seca.

Eu e Aurore no Salar de Uyuni. Época Seca.

Roubei essa foto do site Boca Aberta para mostrar o espalho natural que se forma no Salar na época chuvosa.

Peguei essa foto do site Boca Aberta para mostrar o espelho natural que se forma no Salar de Uyuni na época chuvosa.

O Chile tem sua alta temporada de viagens no verão, que acontece na mesma época que o nosso. O inverno é muito procurado pelos turistas que buscam esquiar, mas mochileiros você encontrará poucos. Eu fui entre julho e agosto e ficava em quartos para 14 pessoas em hostels no sul do Chile sozinha. Minhas costas chegaram a travar de tanto frio. Minha melhor amiga era a estufa, não conseguia sair do lado dela. Já San Pedro de Atacama dizem estar sempre movimentado, a região é muito seca constantemente, afinal é o deserto mais seco do mundo. E pode ser bastante fria no inverno também. Costuma fazer muito sol durante o dia, protetor é fundamental, ainda que com vento geladíssimo e a noite é congelante. Uruguai e Argentina (principalmente o sul) também costumam ser bem frios no inverno, sendo mais procurados por turistas nos verão.

Outra época que os chilenos me recomendaram é setembro. Todos os anos nos dias 18 e 19 de setembro o país comemora suas festas pátrias e grande parte das empresas não trabalham durante toda essa semana. Eu não fiquei para conferir, mas dizem que é como nosso carnaval, o país inteiro entra em festa.

Visitar Machu Picchu no verão, principalmente em fevereiro, pode trazer problemas por causa das chuvas, por outro lado a paisagem está ainda mais verde e bonita. Eu visitei em outubro e foi ótimo. Recomendo essa época.

Não conheci Venezuela, Suriname e Guianas, mas dizem que por lá a palavra inverno não existe.

Protegida do vento gelado na Laguna Colorado, Bolívia.

Protegida do vento gelado na Laguna Colorado, Bolívia.

2. Quanto dinheiro preciso para viajar?

Os valores podem mudar bastante de país para país. Chile e Argentina merecem uma verba maior. Já o Peru pode sair mais barato, ainda que Lima não seja tão barata assim e a visita a Machu Picchu dependendo de como é feita pode esvaziar o bolso do viajante com pouca verba. A Bolívia é um presente, lá realmente dá para economizar sem muito esforço.

Lembre-se que diferente da Europa grande parte dos atrativos turísticos da América do Sul não estão na cidade e você precisará pagar por um tour ou pelo menos a locomoção até lá. Minha sugestão é reservar a verba dos passeios “especiais”, esses que você precisa de um deslocamento maior, como Machu Picchu, Salar do Uyuni, Islas Flotantes, Cañon del Colca, Aconcaguá e outros.

Para dar uma ideia de valores, vou passar a minha verba por dia para cada país:

Chile: 70 reais
Argentina: 70 reais
Peru: 60 reais
Bolívia: 40 reais 

Há quem viaje com menos ou muito mais. Eu me virei bem com esses valores para comer, me hospedar, comprar algumas coisinhas, fazer alguns passeios. E comi bem, viu! hê Me hospedei bastante em casas de pessoas locais, o que ajudou na economia. Também separei a verba dos passeios que mais queria fazer e dos ônibus entre uma cidade e outra (não inclusos na verba diária). No total de cinco meses, gastei 12.500 reais, contando mochila, câmera e algumas roupas de frio compradas ainda no Brasil (viajar no inverno tem esse problema, carrega mais roupas, mais peso).

A parte mais cara da viagem foi a minha volta pelo Brasil, passando pelo Pantanal, Bonito e Foz do Iguaçu. Vou fazer um post específico desses lugares, pois acabei não fazendo a conta por dia. Também vou fazer um post sobre os passeios de Machu Picchu e Salar do Uyuni, com todas as dicas de valores, como economizar, se fazer com agências ou não, etc. Me cobrem. ;)

3. Como viajar pela América do Sul?

Minha escolha foram os ônibus. Confira as dicas sobre viajar de ônibus pela América do Sul aqui.

4. Preciso de visto para entrar nos países da América do Sul?

Apenas a Guiana Francesa exige visto de brasileiros. Para entrar no Suriname e Guiana é preciso de passaporte, já para os demais apenas do RG. O tempo de permissão máxima sem visto varia de país a país, geralmente são 90 dias. No Suriname são 30. No Peru e Bolívia a imigração costuma perguntar quanto tempo você vai ficar e se você falar menos que o tempo máximo, essa será a quantidade de dias permitidos e se você não sair do país no prazo terá problemas, como pagamento de multa. Recomendo dizer uns diazinhos a mais, vai que.

5. Onde me hospedo?

Eu sou super a favor dos hostels e do CouchSurfing.

O CouchSurfing possibilita uma maior interação com a cultura local, acredito ser uma das melhores maneiras de viajar como viajante e não como turista. O site ainda não é tão popular pela América do Sul, em lugares como Bolívia e algumas partes do Peru, mas funciona super bem na Argentina e no Chile. Para quem não conhece, o CouchSurfing é uma comunidade de viajantes de diferentes partes do mundo que recebem outros viajantes em suas casas, sem cobrar por isso. Vale ressaltar que intenção do CouchSurfing não é hospedagem grátis e sim a interação entre host e hóspede.

Já os hostels possibilitam a interação com pessoas de todo o mundo. São opções econômicas onde você divide o quarto com desconhecidos, quanto mais camas no quarto, mais barato. Geralmente incluem café da manhã, serviço de internet, cozinha. Se você nunca se hospedou em hostels tire alguns mitos da mochila com esse post aqui.

Para encontrar e reservar hostels eu uso o Hostel World, nesse site  você pode verificar as opiniões de pessoas que já se hospedaram no hostel.

Fachada do hostel que me hospedei em Mendoza.

Fachada do hostel, onde me hospedei em Mendoza.

6. Como organizo meu roteiro?

Nas minhas pesquisas pré-viagem encontrei várias planilhas que ajudam a organizar o roteiro  e os custos da viagem. Você pode baixar a que usei no link: Modelo de Planilha de Viagem

Confesso que acabei não seguindo direitinho, mas é um guia. Principalmente para quem gosta de seguir o planejamento a risca.

Espero que essas dicas ajudem vocês. Vamos ainda fazer um post  com outras dicas, sobre câmbio de moedas e cartão de crédito/travel money e um sobre o que levar na mochila. Qualquer dúvida ou sugestão envia um email pra gente levonamochila@gmail.com

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Mochilão América do Sul: Cruzar a cordilheira e encontrar Santiago

Uma cidade e uma Cordilheira. Vista do Cerro Santa Lucia, no centro de Santiago.

Uma cidade e uma Cordilheira. Vista do Cerro Santa Lucia, no centro de Santiago.

Cruzando o Paso Libertadores

As fronteiras chilenas foram as mais burocráticas que cruzei pelo caminho. Ao longo da viagem conheci três das portas de entrada e saída do país: O Paso Libertadores entre Argentina-Chile na região central de Santiago; O Paso de Jama entre Bolívia e Chile na região do Atacama e o Paso Chacalluta entre Chile e Peru na região de Arica.

A Cordilheira dos Andes protege todo o país de grande parte das pragas agrícolas que existem em outras regiões da América do Sul, o que faz com que o Chile seja criterioso em suas fronteiras. Todas as malas são realmente fiscalizadas por máquinas de raio x, guardas e cachorros. E todas as pessoas revistadas. O que deveria acontecer na fronteira de qualquer país, mas…

No Paso Libertadores, minha primeira entrada no país, demoramos cerca de três horas para passar pela fronteira, o que atrasou bastante a viagem e fez com que chegássemos aos magníficos caracóis formados pela estrada que cruza os Andes do lado chileno na parte da noite. Uma pena e um motivo para cruzá-lo outra vez. Dizem que é algo impressionante de ser ver.

Chegando a Santiago

A viagem de Mendoza a Santiago que costuma demorar cerca de seis horas, demorou nove e enfim, chegamos a esperada Santiago. Eu ainda não tinha grandes planos para o Chile, queria ver alguns amigos, passar pelo Atacama e quem sabe ir ao Sul. Sabia que o país seria o mais caro da viagem, então não planejava passar muito tempo por lá. Mas, logo o país mostrou que não seria tão fácil deixá-lo.

Lugares para me hospedar não foram problema por lá, fui convidada por dois amigos que conheci em viagens a ficar em suas casas e primeiramente fui recebida pela família de um deles. Recepção mais calorosa e simpática, impossível.

Um repouso inesperado

Eu estava com aquela dorzinha no joelho que começou em Mendoza (que já não era tão dorzinha assim) e, tive que recorrer ao meu seguro viagem pela segunda vez, logo na chegada ao Chile. A visita a uma das melhores clínicas de Santiago (santo seguro!), me rendeu uma recomendação de cinco dias de repouso, dos quais só obedeci dois, além de remédios, compressas de gelo e uso de tensores.

O que parecia ser um azar de viagem se mostrou uma grande oportunidade de conviver de pertinho com uma das família mais queridas que já conheci. Até café da manhã na cama a mãe do meu amigo levou, no almoço escutava histórias de todo o Chile contados pelo pai da família. Provei pisco souer preparado por chileno, mas alá peruana, cervejas típicas do sul do Chile, vinho chileno (se cortou ou não o efeito do anti-inflamatório que eu estava tomando para o joelho, não sei), além de deliciosos pratos típicos, como os Porotos con rienda, um delicioso prato de feijão branco com talharim. Imagina se não fiquei super mal acostumada. Para mim os Gutiérrez  se tornaram a minha família chilena, morro de saudades deles e espero vê-los logo.

Mimo sem igual. Mamãe chilena pra sempre no <3

Mimo sem igual. Mamita chilena pra sempre no <3

Conhecendo a cidade pra valer

Mas, havia uma cidade lá fora me esperando e passado os dias de repouso, comecei a explorar Santiago. Apesar de cidade grande, a capital chilena me pareceu organizada e limpa, com problemas que toda cidade grande tem, mas comparado com Buenos Aires, São Paulo, Lima e La Paz, acredito que problemas como trânsito, sujeira e violência se apresentem menores por lá. Isso não é um dado estatístico, é só uma percepção e se você perguntar para um chileno, capaz que descordem de mim. Eles são bem críticos. Um problema grave por lá é a poluição, como a cidade é cercada pela Cordilheira dos Andes, quando não chove a poluição dos carros e fábricas se concentram e formam o chamado smog, uma grossa camada de poluição que deixam os céus de Santiago cinzentos e o ar impróprio.

A vida cultural e noturna da cidade é animada. Os chilenos são bons para o carrete, como eles chamam as festas (carretear é sair para festas/baladas). O bairro mais famoso da noite é o Bairro Bellavista, mas existem outras boas opções para quem gosta de um bom bar para jogar conversa, como a Plaza Ñuñoa, Providencia e Santiago Centro. Em Vitacura estão as baladas mais cuicas, termo utilizado no Chile para classificar o que é de classe alta, mais esnobe. Adoro os chilenismos, por essas e outras que muitos dizem que no Chile se fala chileno e não espanhol.

Meus bares preferidos estão no centro, região mais diversa da cidade. O La Piojera é um dos bares mais tradicionais, dizem que é o monumento aos sentimentos da nação, pois muita gente já riu, chorou e se apaixonou por lá. Merece uma visita. Prove o típico drink chileno preparado em série por lá, o Terremoto, cujos ingredientes são vinho branco, fernet (ou groselha) e sorvete de abacaxi. Acredite quando um chileno te disser para tomar só um. Eu cai na besteira de aceitar a réplica, um copinho menor que geralmente se toma depois do primeiro e ainda provar o Maremoto (mesma receita, mas com licor de menta no lugar do fernet).  O resultado foi um tremendo terremoto na minha cabeça no dia seguinte.

Outro bar que entrou na minha listinha de melhores foi o The Clinic, algo diferente de tudo que já vi, um bar digamos político. Bar político? É, prometo explicar direitinho, mas em outro post, porque esse bar rende história.

La Piojera, dizem que se chama assim, porque antigamente quando era um restaurante foi visitado por um presidente chileno que se referiu ao lugar como La Piojeira (isso mesmo de piolho), por ser um lugar frequantado pela classe baixa, principalmente por obreiros.

La Piojera. Dizem que o bar se chama assim, porque há muitos anos, quando era um restaurante foi visitado por um presidente chileno que se referiu ao lugar como La Piojera (isso mesmo de piolho), por ser um lugar frequentado pela classe baixa, principalmente por obreiros.

Terremotos La Piojeira - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Terremotos sendo produzidos em série em La Piojera.

E não vá pensando que só conheci bares por lá não, nos dez dias que passei na cidade entre idas e vindas (sempre dava um jeitinho de passar por Santiago outra vez), andei muito por suas ruas, praças, parques, cerros, museus, centro culturais. Destaco as visitas ao Cerro Santa Lucía no coração da cidade; o Centro Cultural Gabriela Mistral, um complexo cultural gigantesco, com exposições, teatro, música, biblioteca; e o Museu da Memória e dos Direitos Humanos que relembra histórias da ditadura militar no Chile e na América Latina, o museu está super bem montado e interativo, vale a visita pelo assunto e pela estrutura.

Ai, tanta coisa pra falar de Santiago, fica difícil resumir em um post. Nem preciso dizer que depois de ser conquistada pela cidade não consegui evitar conhecer mais do Chile do que o planejado.

E lá fui eu para as frias e maravilhosas regiões do rios e do lagos no sul do Chile, visitar vulcões inativos e ativos, alimentar lobos marinhos, comer deliciosos pratos de salmão, visitar cervejarias e namorar o rio Calle Calle. Se animou? Então, não perde os próximos posts da série Mochilão América do Sul, toda quarta-feira aqui no Levo na Mochila ;)

Plaza de Armas - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Monumento aos povos indígenas na Praça de Armas.

Palacio de la Moneda - Santiago - Chile

Palácio de la Moneda, sede da presidência da República Chilena.

Fuente Alemanda - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Fonte Alemã. Presente alemão aos chilenos.

Banheiros Centro de Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Algo que me surpreendeu por lá foram esses banheiros pelo centro. Você desce de escada, tendo elevadores para acessos às pessoas com deficiência, paga algo em torno de um real e usa o banheiro super higiênico. A descarga é acionada com uma alavanca pelos pés. Podia ter desse em São Paulo, né?

Vendedor de Cataventos - Santiago - Chile

Vendedor de Cataventos pelas ruas de Ñuñoa.

Museu da memória e dos direitos humanos - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Museu da memória e dos direitos humanos. Uma lembrança da época de ditaduras militar.

Cerro San Cristobán - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Subindo o Cerro San Cristobán.

Bairro Paris-Londres - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Caminhando pelo charmoso bairro Paris-Londres.

Calle Los Jasmines - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Los Jasmines, endereço que guardo grande saudade.

Confere o post anterior de série aqui: A Mendoza com segundas intenções

Fotos por Danyelle Fioravanti e Rodrigo Gutiérrez

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Edifício Kavanagh, uma história de amor sem final feliz

Muitas vezes vemos uma paisagem, uma construção e não imaginamos quanta história se esconde ali.

O Levo na Mochila  começa hoje uma nova série de posts, onde vamos contar pequenas curiosidades de lugares do mundo, uma história ou não, um fato engraçado ou não, que se passou com a gente ou não.

Vamos falar daquela fonte que conta história das batalhas navais da Roma antiga, do prédio que você talvez não repare nada de diferente, mas guarda uma história de amor que não terminou muito feliz em Buenos Aires, ou aqueles sapatinhos do Danúbio em Budapeste, que diabos fazem ali?

Então aí vai o nosso primeiro post da série “Sem Nome” e aceitamos a ajuda de todos vocês para dar um nome criativo pra ela :)

Edificio kavanagh, Buenos Aires, Argentina

Edíficio Kavanagh, Buenos Aires: Quem passa pelo edifício Kavanagh, seus 31 andares e 15 elevadores, em frente a praça San Martín em Buenos Aires se impressiona por sua imponência, mas o que os passantes desavisados não imaginam são as motivações que levaram o edifício a ser construído em 1936.

Corina Kanavagh, uma rica jovem de família sem tradição em Buenos Aires, se apaixonou por um rapaz da rica e tradicional família Anchorena, que não aceitava a relação e fizeram com que o relacionamento acabasse. Corina  se vingou construindo o edifício Kavanagh com o objetivo de esconder a Basílica do Santíssimo Sacramento, templo construído em 1920 pelos Anchorena e que seria usado como sepulcro da família. Os Anchorena que antes podiam ver a igreja das janelas de seu palácio do outro lado da praça,  perderam totalmente sua vista.

Repare na foto como a basílica praticamente desapareceu atrás do Kavanagh.

 Imagina como os Anchorena ficaram felizes.

Quer visitar o Edifício Kavanagh?

Localize-se no maps: http://goo.gl/maps/IFiEs

O filme argentino Medianeras conta essa história, mas só achei o vídeo em espanhol.

Foto por Danyelle Fioravanti

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Mochilão América do Sul: A Mendoza com segundas intenções

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul2

Não dá para negar as minhas segundas intenções com Mendoza, cheguei à cidade e duas ideinhas habitavam a minha cabeça: ver neve pela primeira vez na vida e beber vinho.

Minha passagem por lá foi um pouco diferente, pois tinha companhia de viagem. Encontrei  um amigo chileno que conheci em um hostel quando fui ao Rock in Rio.  Adoro as conexões que fazemos em viagem :) Conhecemos a cidade juntos e depois cruzamos o o Paso Libertadores rumo ao Chile (assunto para o próximo post).

Mendoza de cara me surpreendeu por ser a cidade mais calorosa e de clima seco que visitei na Argentina. Em pleno inverno e eu tirando o casaco, onde esperava sentir mais frio.

Bastante turística e charmosa nos rendeu bons passeios e sonhos realizados.

Parque San Martín

Um parque gigante que abriga até  universidades, zoológico e clube de regatas em seu interior. Árvores imponentes e folhas secas no chão dão todo um charme ao parque. Eu, que não sabia para onde olhar, fiquei tonta de rodar vendo as copas das árvores.

Logo na entrada perguntei no posto de informação turística como chegar ao Cerro de La Glória, que sabia estar dentro do parque e pela primeira vez fui super mal atendida em um posto de informação turística na Argentina. A atendente me disse que a única maneira de chegar até lá era pagando um ônibus turístico e que não tinha horário para sair. Me disse ainda que era impossível chegar andando, pois estava distante, há 3km. Ah tá! Lá fui eu, caminhando para o Cerro de la Glória, mais a subida até o topo. Foi cansativo e meu joelho começava a apresentar sinais de que seria o motivo da minha próxima visita a uma clínica no exterior. Ainda assim, a caminhada pelo parque e vista de cima do cerro valeram a pena.

Quando desci descobri que passavam ônibus coletivos a todo momento e que custavam algo em torno de 2 pesos, apenas. Não sei que caminho fiz que não vi eles na ida.  Deu vontade de voltar até a moça para agradecer a informação corretíssima que ela me deu, só que não.

Parque San Martín - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Vista Cerro de la Gloria - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul1

Tour do Vinho

Fizemos um tour pela vinícolas mendozinas de bicicleta. Não sei como isso deu certo, já não tenho talento para bicicleta, imagina tomando vinhos e mais focada na beleza da paisagem do que em me equilibrar em cima da bicicleta. As plantações de uva estavam secas e cercavam todo o caminho, no horizonte avistávamos as montanhas nevadas, o clima estava perfeito, sol e brisa fria.

Estivemos em vinícolas orgânicas,  familiares e industriais. Provamos diferente sabores, entendemos como degustar e conhecemos todo o processo de fabricação. Um tour que ficou na memória e no paladar.

Vinícolas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Vinícolas1 - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Bicicletas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Visita ao Aconcágua

Muitos turistas buscam pelas pistas de esqui ao visitar Mendoza, a ideia não me atraiu. Os preços não são muito convidativos, ainda que mais baratos que no Chile, pelo que ouvi dizer. Eu estava feliz só com a ideia de ver neve e poder me jogar nela, escorregar, enfim me sentir uma verdadeira criança.

Com um tour organizado pelo hostel lá fomos nós ao mirador daquele que é o monte com o pico mais alto de toda a América, o Aconcágua. O passeio na verdade decepcionou um pouco, da estrada se vê muito melhor a diferença do Aconcágua para os outros picos da Cordilheira dos Andes.

A paisagem de montes nevados, com um sozinho ao fundo que derretia um pouco da neve, era belíssima. Também esperávamos ver mais neve, mas nos divertimos bastante com a neve já úmida que sobrevivia ao sol mendozino. Realizei o sonho de ver neve, não dá pra reclamar.

Neve - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Cordilheira dos Andes - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul1

Cordilheira dos Andes - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Toda a cidade tem uma atmosfera especial. Como estive lá no final de semana, vi muita movimentação pelas ruas, eventos nas praças. E como tem praças por lá. A praça principal, a Plaza Independência, tem quatro praças equidistantes, as Plazas Chile, San Martín, Itália e Espanha. Adorei a simetria.

Se quiser uma boa dica para comer, que não costuma ser muito barato por lá, fica a dica do Caro Pepe, um “coma a vontade” ou como é conhecido em espanhol “tenedor libre”. Pagamos algo em torno de 70 ARS (+/- 35 reais) e comemos muito, muito mesmo. Com variedade de carnes e massas. O que mais gostei foi um crepe flambado, recheado de doce de leite com sorvete de doce de leite. Passei dias falando desse crepe.

Sobremesa Caro Pepe - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Ruas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Depois de Mendoza, chegava a hora de me despedir da Argentina e conhecer as terras chilenas.

Esse post faz parte da série Mochilão América do Sul.

Confira aqui as publicações anteriores:

1. A decisão de viajar sozinha e de mochila

2. Planejar e Cruzar fronteira

3. Buenos Aires, querida e louca!

4. Córdoba, serras e um abraço do Che

Fotos por Danyelle Fioravanti

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Viajar de ônibus pela América do Sul

Rumo a Cusco, 21 horas em ônibus.

Rumo a Cusco – Peru, 21 horas em ônibus desde Lima.

Existem muitos mitos e verdades sobre viajar de ônibus pela América do Sul. Histórias sobre viajar com galinhas e outros animais dentro do ônibus, sequestros e roubos, estradas da morte e ônibus sem banheiro habitam nossa cabeça quando pensamos em viajar por terra pelo continente. A minha experiência de cinco meses viajando apenas em ônibus, e duas vezes em trem, por Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Brasil, me mostraram que algumas dessas histórias são mitos, outras um dia foram verdade e outras continuam sendo.

Fui surpreendida positivamente pelas viagens de ônibus que em geral são seguras, basta tomar alguns cuidados como em qualquer lugar. Na Argentina, no Chile e Peru alguns ônibus oferecem serviço de bordo e superam qualquer companhia área que eu já tenha viajado. Em um determinado trecho na Argentina, comprei uma passagem que estava em promoção em uma classe mais confortável e, me ofereceram até whisky e pró-seco.

Alguns cuidados que me ajudaram a viajar tranquila:

– Cuidados com bagagem de mão

A mochila de mão ia enrolada no pé, embaixo do banco. Dinheiro e documentos sempre comigo, de preferência naquelas bolsinhas conhecidas como porta-dólares, que ficam por baixo da calça. Dava aquela vontade de ir no banheiro? A mochila de mão ia junto.

 

– Avise um conhecido

Para alguns é exagero, mas eu viajava mais tranquila avisando algum familiar ou conhecido no local sobre o trecho e companhia da viagem.

 

– Evitar viajar a noite

Nem sempre é possível evitar, o que me gerou algum pânico a princípio, mas relaxei e deu tudo certo. Não cruzei nenhuma fronteira a noite, tomei cuidado redobrado com as minhas coisas e, optava por empresas de ônibus maiores e mais conhecidas. Quando entrava no ônibus tratava de curtir a noite, as estrelas pela janela. Não adianta ficar tenso, você já está lá.

– Escolha da empresa de ônibus

Pesquise antes se possível, converse com locais, nem sempre passagens econômicas valem a pena. Economize, mas não quando isso interferir na sua segurança.

 

Argentina:

As estradas argentinas me pareceram seguras nos trechos que passei (Puerto Iguazú – Buenos Aires; Buenos Aires – Córdoba; Córdoba – Mendoza).  Existem muitas opções de empresas. Lá optei pelas mais econômicas. Uma boa dica é utilizar o site Central de Pasajes para pesquisar preços, horários e companhias e depois ir até o terminal de ônibus comprar. Pechinchar por lá pode funcionar.

 

Brasil:

O Brasil foi onde tive mais dificuldade com ônibus, atrasos, falta de informação e preços absurdos. Por aqui não existe uma companhia de ônibus que faça trechos por todo o país. Existem grandes empresas que cobrem determinadas regiões. O país é grande demais. Para ajudar na pesquisa de preços, horários e companhias de ônibus no Brasil o site Busca Ônibus  é uma boa alternativa.

 

 Bolívia:

Viajar pela Bolívia por terra é uma grande aventura, as estradas e ônibus desafiam a coragem do viajante. Como em todo lugar, existem os ônibus turísticos que oferecem um maior conforto, pero no mucho e,  por um preço bem maior. Ouvi relatos de outros viajantes de que os ônibus turísticos não valiam a pena e optei pelos ônibus comuns. Buscava me informar nos hostels e com pessoas locais sobre as companhias. Uma das mais conhecidas é a Trans Copacabana (não encontrei o site).

A história de não ter banheiro nos ônibus é verdade, eles fazem algumas paradas no caminho, mas aconselho evitar líquidos antes e durante a viagem.

Algumas estradas foram pavimentadas recentemente, como a que vai de La Paz a Potosí, mas se você pretende cruzar o país e chegar ou sair de Santa Cruz, prepare seu espírito aventureiro. As estradas são de terra, estreitas e rodeiam montanhas. Como prêmio pela coragem você ganha uma paisagem maravilhosa para apreciar da janela.

 

 Chile:

Viajei o Chile de Norte a Sul, suas estradas em geral são muito boas. Lá existem duas grandes empresas a Turbus e a Pullmam Bus, as duas realizam trechos por todo o país e existem outras menores que fazem apenas alguns trechos. A Turbus não tem boa fama por lá, mas eu usei bastante e achei ótima. Segundo um amigo chileno, sua má fama é porquê a frota deles é muito grande e houve uma época em que alguns acidentes geraram bochichos sobre a empresa.

Para quem tem flexibilidade de datas é possível encontrar ótimos preços, no Chile os valores mudam muito dependendo do dia da semana. Claro que os finais de semana são mais caros. É possível consultar os preços pelos sites das empresas, mas estrangeiros só conseguem realizar a compra nos terminais de ônibus ou nos postos de vendas. Se não tiver tempo de verificar os preços antes pela internet, peça ajuda aos atendentes, eles costumam ser gentis e te ajudam a encontrar a passagem mais barata.

Peru:

Viajar de ônibus pelo Peru já não foi uma opção muito segura, mas tem melhorado muito e com algumas empresas você viaja seguro, confortável, com comidinhas e bebidinhas a bordo. A maior empresa de ônibus do Peru é a Cruz del Sur (quem dera no Brasil companhias de ônibus e avião fossem parecidas com ela). As passagens pela Cruz del Sur são mais caras e em alguns trechos a diferença não é pouca não, mas eles sempre liberam alguns assentos com preço mais baratos, o que chamam de tarifa insuperable e, os preços são insuperáveis mesmo. A compra das passagens pode ser feita pelo site, pelo telefone ou nos terminais. Quando viajar pela Cruz del Sur, fique atento, em algumas cidades, como Lima, Ica, Cusco, a empresa tem um terminal de ônibus próprio. Outra grande empresa de ônibus por lá é a Ortusa.

Não se espante se antes de deixar o terminal um funcionário da empresa subir ao ônibus filmando todos os passageiros. É uma medida de segurança da empresa.

Algumas das paisagens que vi das janelas dos ônibus pela América do Sul:

Cruzando a fronteira Argentina - Chile em plena Cordilheira dos Andes.

Cruzando a fronteira Argentina – Chile em plena Cordilheira dos Andes

Viajando pelos povoados de Cusco, Peru.

Viajando pelos povoados de Cusco, Peru.

A primeira vez que vi um vulcão foi da janela. Osorno, Puerto Varas, Chile <3

A primeira vez que vi um vulcão foi da janela de um ônibus. Osorno, Puerto Varas, Chile <3

Balsas para cruzar o Titicaca em ônibus, Bolívia.

Balsas para cruzar o lago Titicaca em ônibus, Bolívia.

Céu pantaneiro visto da janela. Mato Grosso do Sul, Brasil.

Céu pantaneiro visto da janela. Mato Grosso do Sul, Brasil.

 
Tem boas dicas de viagem de ônibus por esses e/ou outros países da América do Sul? Manda pra gente: levonamochila@gmail.com
 
 
Fotos por Danyelle Fioravanti

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Mochilão América do Sul: Córdoba, serras e um abraço do Che

Parque Sarmiento - Córdoba - Argentina - Mochilão América do Sul

As dez horas de viagem de Buenos Aires a Córdoba não foram das mais fáceis, havia comprado um assento não muito confortável e um senhor um pouco espaçoso sentou ao meu lado, complicando a situação já nada cômoda. Mas, o problema mesmo era lidar com a minha cabeça, que depois de ter encarado ficar doente pela primeira vez fora de casa, estava fraca na missão e em intervalos entre dormir e acordar alimentava pensamentos não muito animadores.

Logo quando cheguei, conheci duas chilenas no hostel que fizeram o convite para irmos a uma feirinha de artes, como era feriado a cidade estava tranquila e repleta de atividades artísticas ao ar livre. Naquele primeiro momento minha impressão era de uma Córdoba colorida, de ritmo suave. Mas, conhecer uma cidade em dias de feriado, não é conhecer uma cidade.

Encontrar as simpáticas Dani e Nicol do Chile me animou bastante, pena que no mesmo dia estavam de regresso ao seu país. Eu não imaginava, mas viria a encontrá-las por lá, algumas semanas depois.

Não sei se minha percepção de Córdoba foi influenciada por como eu me sentia, de alguma maneira sempre é, mas conversando com outros viajantes que ali passavam, vejo que realmente o maior atrativo da cidade não está na própria cidade, se não ao se em torno, em suas serras.

Em Córdoba a maior atração está em sua arquitetura, muitas igrejas, museus, praças, mas a mim só convenceu mesmo a igreja gótica, essa sim foi de dizer uaauuu!

Catedral Gótica

Catedral Gótica

A cidade parecia viver o seu ritmo de trabalho, como qualquer cidade grande, mas me garantiram que o final de semana por lá é animado. Eu, preferi não esperar. Quero voltar um dia e ver se me acarinho mais pela cidade.

Córdoba tem dois terminais de ônibus e do pequeno, bem no coração da cidade saem ônibus às cidades localizadas nas serras, eu tratei de correr a Alta Gracia, onde está o museu A Casa de Che. A cidade parecia fantasma, quase ninguém nas ruas para eu pedir informação, me perdi um bocado, mas finalmente cheguei ao museu. O preço salgado logo me colocou uma cara de desespero, algo em torno de 75 ARS (+/- 40 reais), quase toda minha verba do dia. Acho que o recepcionista percebeu e me perguntou se eu tinha carteirinha de estudante. Eu, muito esperta, tinha esquecido de levar a minha válida até 2013 (santo Senac), mas ainda assim ele fez o preço de estudante. Não chegava a ser a metade, mas já era algum desconto.

Pronto, cruzando as portas do museu começou o chororô.  Não pude evitar, estava frágil e, se não me engano, já na segunda sala  havia uma carta que Che escreveu aos seus pais em sua primeira viagem pela Argentina, com a qual me identifiquei muito.

O museu é uma pequena casa, onde Ernesto Guevara de la Serna, viveu dos seus 6 a 14 anos, por recomendações médicas. Era asmático e o clima seco e puro de Alta Gracia o ajudaria com seus problemas respiratórios. Logo na entrada nos deparamos com uma escultura do pequeno Ernestito sentado na varanda, entramos e simples salas, com seus livros, cartas, objetos, vão contando como cresceu o viajante que viria a se tornar guerrilheiro e marcar a história da América Latina. Independente de concordar ou não com sua luta, é difícil passar ileso por sua história. Há quem consiga?

Eu que pensava que abortaria a missão que tanto tinha sonhado, agora estava ali diante de tantos relatos de coragem , de cartas onde o comandante falava sobre suas motivações para viajar e seus sonhos de mudar o mundo. Me senti abraçada e muito mais forte.

Che também levava na mochila

Che também levava na mochila

O menino Enerstito

O menino Enerstito

Depois do abraço de Che, ainda conheci Carlos Paz, uma charmosa cidade também nas serras de Córdoba, onde estão muitas fábricas de alfajores. Que tentação!

E segui em frente, próxima e última parada na Argentina : Mendoza.

Hasta la victoria siempre!

Muros coloridos de Córdoba

Muros coloridos de Córdoba

Mais arte nos muros de Córdoba

Mais arte nos muros de Córdoba

Entrada para o Link Córdoba Hostel

Entrada para o Link Córdoba Hostel

Dicas úteis:

Link Córdoba Hostel

Um dos melhores hostels que fiquei durante a viagem.  Ambiente agradável, pessoal do staff super simpáticos (um dos donos é um brasileiro), quartos e banheiros limpos. O café da manhã a la argentinos é bem servido, doce de leite, geleias, media lunas…

Então fica a dica para quem vai se hospedar em Córdoba ;)

Este é o quarto post da série Mochilão América do Sul.

Perdeu os anteriores? Confira aqui:

1. A decisão de viajar sozinha e de mochila

2. Planejar e Cruzar fronteira

3. Buenos Aires, querida e louca!

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Mochilão América do Sul: Buenos Aires, querida e louca!

Entardecer na Recoleta

Entardecer na Recoleta

A chegada a Buenos Aires, 20 horas depois – três a mais que o previsto, devido a um congestionamento para entrar na região da capital porteña, confirmava a expectativa: a aventura começava ali.

Minha primeira emoção foi o senhor que tirava as malas do ônibus me olhando feio e resmungando algo que eu e meu portunhol (de mierda) não entendíamos. Algum tempo depois percebi que ele queria a propina (gorjeta em espanhol), que eles realmente levam a sério por lá. Na dúvida dei 5 ARS , ele pareceu mais feliz e segui em frente.

Nos meus sete dias em Buenos Aires, fora toda a parte turística e super conhecida por nós brasileiros, como Recoleta, Malba, Palermo, Caminito e outras mais, conheci cantinhos que pareceram ainda mais especiais, como o Rio de la Plata e seu teatro a céu aberto, que tem um acesso escondido próximo a Ponte Saavedra e o espaço Konex, que recebe muitos viajantes adeptos do CouchSurfing, mas que provavelmente, você não vai ouvir falar em uma agência de viagens.

Falando nisso, foi em Buenos Aires que fiz meu primeiro couchsurfing. Tudo bem, que já conhecia meu host, pois o havia recebido com um grupo de amigos, todos argentinos para um passeio por São Paulo. Mas, a experiência de estar dentro da casa de alguém praticamente desconhecido, ter suas chaves em mãos, entrar e sair quando bem entender, era completamente nova e até um pouco estranha. Logo comecei a me sentir bem com a situação, uma das grandes descobertas de viajar se hospedando em casa de locais é ver como existem pessoas que sabem e gostam de receber.

Não foi a primeira vez que estive em Buenos Aires, mas nada como ter um guia local para descobrir de verdade uma cidade, principalmente quando a viajante é uma curiosa que pergunta sobre tudo, o tempo inteiro.

Dessa vez pude ver uma Buenos Aires muito mais frenética do que tive a oportunidade de conhecer antes, uma cidade como a minha São Paulo e outras grandes cidades pelo mundo, que crescem desordenadas e com uma pressa de chegar sabe se lá onde e porquê… e assim, muitos esquecemos de ver o que se tem de mais lindo e escondido entre tantos prédios.

Cores, árvores, pessoas e carros, um mix bem porteño

E Buenos Aires ainda guardava muitas emoções…

Lá fiquei doente pela primeira vez durante meu mochilão. Sim, tiveram outras e juntas fizeram valer cada centavo do seguro que eu fiz pela Intermac Assistence.

Me lembro bem da sensação de desespero, sozinha no hospital, quando me perguntavam algo como “Cual es su apechido?” e eu “Que? Apechido? No sé, tengo dolor!!!”. Até que entendi que me perguntavam qual é meu apellido (sobrenome em espanhol). Os porteños tem esse jeitinho bem diferente de falar, o que complica a comunicação, mas nada que gestos e um pouco de persistência não resolva. Para eles o ll soa como o nosso ch, enquanto nos demais países soa mais como nosso lh.  E também não existe o tu (você) e sim vos, o que acaba mudando toda a conjugação dos verbos.

Resolvido os desentendimentos de linguagem, fui atendida, tomei uns antibióticos e fiquei bem, mas assustada. E a partir dali comecei a pensar que não conseguiria viajar mais que um mês sozinha.

Tudo bem se eu resolvesse voltar antes, mas por enquanto iria continuar  a viagem, o próximo destino me esperava: Córdoba.

Já esteve em Buenos Aires? Conta pra gente como foi nos comentários e compartilhe fotos na nossa Fan Page e/ou instagram usando #levonamochila

Buenos Aires, vale mais de um post aqui, quero contar tudo do Konex para vocês,  dos shows incríveis que acontecem por lá e, compartilhar a lista de lugares a se conhecer que meu host fez para mim, mas por hora,  algumas fotos e um trecho do filme Medianeras, que vi faz algum tempo e não saia dos meus pensamentos enquanto estava lá, pois muito traduz essa cidade, querida e louca!

Espaço cultural Konex

Espaço cultural Konex

Teatro a céu aberto na margem do rio de La Plata

Muros expressivos de Buenos Aires

Muros expressivos de Buenos Aires

Hosts especiais, empanadas especiais. Feitas por Belén Callara e de recheio único, lentilhas :)

Medianeras em espanhol, não encontrei com legendas. Se alguém encontrar, me avisa, por favor, vale a pena.

Este é o terceiro post da série Mochilão América do Sul.

Confira os post anteriores:

1. A decisão de viajar sozinha e de mochila: http://tinyurl.com/viajarsozinha

2. Planejar e Cruzar fronteira: http://tinyurl.com/cruzarfronteiras

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