Arquivo da categoria: Argentina

Edifício Kavanagh, uma história de amor sem final feliz

Muitas vezes vemos uma paisagem, uma construção e não imaginamos quanta história se esconde ali.

O Levo na Mochila  começa hoje uma nova série de posts, onde vamos contar pequenas curiosidades de lugares do mundo, uma história ou não, um fato engraçado ou não, que se passou com a gente ou não.

Vamos falar daquela fonte que conta história das batalhas navais da Roma antiga, do prédio que você talvez não repare nada de diferente, mas guarda uma história de amor que não terminou muito feliz em Buenos Aires, ou aqueles sapatinhos do Danúbio em Budapeste, que diabos fazem ali?

Então aí vai o nosso primeiro post da série “Sem Nome” e aceitamos a ajuda de todos vocês para dar um nome criativo pra ela :)

Edificio kavanagh, Buenos Aires, Argentina

Edíficio Kavanagh, Buenos Aires: Quem passa pelo edifício Kavanagh, seus 31 andares e 15 elevadores, em frente a praça San Martín em Buenos Aires se impressiona por sua imponência, mas o que os passantes desavisados não imaginam são as motivações que levaram o edifício a ser construído em 1936.

Corina Kanavagh, uma rica jovem de família sem tradição em Buenos Aires, se apaixonou por um rapaz da rica e tradicional família Anchorena, que não aceitava a relação e fizeram com que o relacionamento acabasse. Corina  se vingou construindo o edifício Kavanagh com o objetivo de esconder a Basílica do Santíssimo Sacramento, templo construído em 1920 pelos Anchorena e que seria usado como sepulcro da família. Os Anchorena que antes podiam ver a igreja das janelas de seu palácio do outro lado da praça,  perderam totalmente sua vista.

Repare na foto como a basílica praticamente desapareceu atrás do Kavanagh.

 Imagina como os Anchorena ficaram felizes.

Quer visitar o Edifício Kavanagh?

Localize-se no maps: http://goo.gl/maps/IFiEs

O filme argentino Medianeras conta essa história, mas só achei o vídeo em espanhol.

Foto por Danyelle Fioravanti

2 Comentários

Arquivado em América do Sul, Argentina, Destinos

Mochilão América do Sul: A Mendoza com segundas intenções

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul2

Não dá para negar as minhas segundas intenções com Mendoza, cheguei à cidade e duas ideinhas habitavam a minha cabeça: ver neve pela primeira vez na vida e beber vinho.

Minha passagem por lá foi um pouco diferente, pois tinha companhia de viagem. Encontrei  um amigo chileno que conheci em um hostel quando fui ao Rock in Rio.  Adoro as conexões que fazemos em viagem :) Conhecemos a cidade juntos e depois cruzamos o o Paso Libertadores rumo ao Chile (assunto para o próximo post).

Mendoza de cara me surpreendeu por ser a cidade mais calorosa e de clima seco que visitei na Argentina. Em pleno inverno e eu tirando o casaco, onde esperava sentir mais frio.

Bastante turística e charmosa nos rendeu bons passeios e sonhos realizados.

Parque San Martín

Um parque gigante que abriga até  universidades, zoológico e clube de regatas em seu interior. Árvores imponentes e folhas secas no chão dão todo um charme ao parque. Eu, que não sabia para onde olhar, fiquei tonta de rodar vendo as copas das árvores.

Logo na entrada perguntei no posto de informação turística como chegar ao Cerro de La Glória, que sabia estar dentro do parque e pela primeira vez fui super mal atendida em um posto de informação turística na Argentina. A atendente me disse que a única maneira de chegar até lá era pagando um ônibus turístico e que não tinha horário para sair. Me disse ainda que era impossível chegar andando, pois estava distante, há 3km. Ah tá! Lá fui eu, caminhando para o Cerro de la Glória, mais a subida até o topo. Foi cansativo e meu joelho começava a apresentar sinais de que seria o motivo da minha próxima visita a uma clínica no exterior. Ainda assim, a caminhada pelo parque e vista de cima do cerro valeram a pena.

Quando desci descobri que passavam ônibus coletivos a todo momento e que custavam algo em torno de 2 pesos, apenas. Não sei que caminho fiz que não vi eles na ida.  Deu vontade de voltar até a moça para agradecer a informação corretíssima que ela me deu, só que não.

Parque San Martín - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Vista Cerro de la Gloria - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul1

Tour do Vinho

Fizemos um tour pela vinícolas mendozinas de bicicleta. Não sei como isso deu certo, já não tenho talento para bicicleta, imagina tomando vinhos e mais focada na beleza da paisagem do que em me equilibrar em cima da bicicleta. As plantações de uva estavam secas e cercavam todo o caminho, no horizonte avistávamos as montanhas nevadas, o clima estava perfeito, sol e brisa fria.

Estivemos em vinícolas orgânicas,  familiares e industriais. Provamos diferente sabores, entendemos como degustar e conhecemos todo o processo de fabricação. Um tour que ficou na memória e no paladar.

Vinícolas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Vinícolas1 - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Bicicletas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Visita ao Aconcágua

Muitos turistas buscam pelas pistas de esqui ao visitar Mendoza, a ideia não me atraiu. Os preços não são muito convidativos, ainda que mais baratos que no Chile, pelo que ouvi dizer. Eu estava feliz só com a ideia de ver neve e poder me jogar nela, escorregar, enfim me sentir uma verdadeira criança.

Com um tour organizado pelo hostel lá fomos nós ao mirador daquele que é o monte com o pico mais alto de toda a América, o Aconcágua. O passeio na verdade decepcionou um pouco, da estrada se vê muito melhor a diferença do Aconcágua para os outros picos da Cordilheira dos Andes.

A paisagem de montes nevados, com um sozinho ao fundo que derretia um pouco da neve, era belíssima. Também esperávamos ver mais neve, mas nos divertimos bastante com a neve já úmida que sobrevivia ao sol mendozino. Realizei o sonho de ver neve, não dá pra reclamar.

Neve - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Cordilheira dos Andes - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul1

Cordilheira dos Andes - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Toda a cidade tem uma atmosfera especial. Como estive lá no final de semana, vi muita movimentação pelas ruas, eventos nas praças. E como tem praças por lá. A praça principal, a Plaza Independência, tem quatro praças equidistantes, as Plazas Chile, San Martín, Itália e Espanha. Adorei a simetria.

Se quiser uma boa dica para comer, que não costuma ser muito barato por lá, fica a dica do Caro Pepe, um “coma a vontade” ou como é conhecido em espanhol “tenedor libre”. Pagamos algo em torno de 70 ARS (+/- 35 reais) e comemos muito, muito mesmo. Com variedade de carnes e massas. O que mais gostei foi um crepe flambado, recheado de doce de leite com sorvete de doce de leite. Passei dias falando desse crepe.

Sobremesa Caro Pepe - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Ruas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Depois de Mendoza, chegava a hora de me despedir da Argentina e conhecer as terras chilenas.

Esse post faz parte da série Mochilão América do Sul.

Confira aqui as publicações anteriores:

1. A decisão de viajar sozinha e de mochila

2. Planejar e Cruzar fronteira

3. Buenos Aires, querida e louca!

4. Córdoba, serras e um abraço do Che

Fotos por Danyelle Fioravanti

Deixe um comentário

Arquivado em América do Sul, Argentina, Destinos

Mochilão América do Sul: Córdoba, serras e um abraço do Che

Parque Sarmiento - Córdoba - Argentina - Mochilão América do Sul

As dez horas de viagem de Buenos Aires a Córdoba não foram das mais fáceis, havia comprado um assento não muito confortável e um senhor um pouco espaçoso sentou ao meu lado, complicando a situação já nada cômoda. Mas, o problema mesmo era lidar com a minha cabeça, que depois de ter encarado ficar doente pela primeira vez fora de casa, estava fraca na missão e em intervalos entre dormir e acordar alimentava pensamentos não muito animadores.

Logo quando cheguei, conheci duas chilenas no hostel que fizeram o convite para irmos a uma feirinha de artes, como era feriado a cidade estava tranquila e repleta de atividades artísticas ao ar livre. Naquele primeiro momento minha impressão era de uma Córdoba colorida, de ritmo suave. Mas, conhecer uma cidade em dias de feriado, não é conhecer uma cidade.

Encontrar as simpáticas Dani e Nicol do Chile me animou bastante, pena que no mesmo dia estavam de regresso ao seu país. Eu não imaginava, mas viria a encontrá-las por lá, algumas semanas depois.

Não sei se minha percepção de Córdoba foi influenciada por como eu me sentia, de alguma maneira sempre é, mas conversando com outros viajantes que ali passavam, vejo que realmente o maior atrativo da cidade não está na própria cidade, se não ao se em torno, em suas serras.

Em Córdoba a maior atração está em sua arquitetura, muitas igrejas, museus, praças, mas a mim só convenceu mesmo a igreja gótica, essa sim foi de dizer uaauuu!

Catedral Gótica

Catedral Gótica

A cidade parecia viver o seu ritmo de trabalho, como qualquer cidade grande, mas me garantiram que o final de semana por lá é animado. Eu, preferi não esperar. Quero voltar um dia e ver se me acarinho mais pela cidade.

Córdoba tem dois terminais de ônibus e do pequeno, bem no coração da cidade saem ônibus às cidades localizadas nas serras, eu tratei de correr a Alta Gracia, onde está o museu A Casa de Che. A cidade parecia fantasma, quase ninguém nas ruas para eu pedir informação, me perdi um bocado, mas finalmente cheguei ao museu. O preço salgado logo me colocou uma cara de desespero, algo em torno de 75 ARS (+/- 40 reais), quase toda minha verba do dia. Acho que o recepcionista percebeu e me perguntou se eu tinha carteirinha de estudante. Eu, muito esperta, tinha esquecido de levar a minha válida até 2013 (santo Senac), mas ainda assim ele fez o preço de estudante. Não chegava a ser a metade, mas já era algum desconto.

Pronto, cruzando as portas do museu começou o chororô.  Não pude evitar, estava frágil e, se não me engano, já na segunda sala  havia uma carta que Che escreveu aos seus pais em sua primeira viagem pela Argentina, com a qual me identifiquei muito.

O museu é uma pequena casa, onde Ernesto Guevara de la Serna, viveu dos seus 6 a 14 anos, por recomendações médicas. Era asmático e o clima seco e puro de Alta Gracia o ajudaria com seus problemas respiratórios. Logo na entrada nos deparamos com uma escultura do pequeno Ernestito sentado na varanda, entramos e simples salas, com seus livros, cartas, objetos, vão contando como cresceu o viajante que viria a se tornar guerrilheiro e marcar a história da América Latina. Independente de concordar ou não com sua luta, é difícil passar ileso por sua história. Há quem consiga?

Eu que pensava que abortaria a missão que tanto tinha sonhado, agora estava ali diante de tantos relatos de coragem , de cartas onde o comandante falava sobre suas motivações para viajar e seus sonhos de mudar o mundo. Me senti abraçada e muito mais forte.

Che também levava na mochila

Che também levava na mochila

O menino Enerstito

O menino Enerstito

Depois do abraço de Che, ainda conheci Carlos Paz, uma charmosa cidade também nas serras de Córdoba, onde estão muitas fábricas de alfajores. Que tentação!

E segui em frente, próxima e última parada na Argentina : Mendoza.

Hasta la victoria siempre!

Muros coloridos de Córdoba

Muros coloridos de Córdoba

Mais arte nos muros de Córdoba

Mais arte nos muros de Córdoba

Entrada para o Link Córdoba Hostel

Entrada para o Link Córdoba Hostel

Dicas úteis:

Link Córdoba Hostel

Um dos melhores hostels que fiquei durante a viagem.  Ambiente agradável, pessoal do staff super simpáticos (um dos donos é um brasileiro), quartos e banheiros limpos. O café da manhã a la argentinos é bem servido, doce de leite, geleias, media lunas…

Então fica a dica para quem vai se hospedar em Córdoba ;)

Este é o quarto post da série Mochilão América do Sul.

Perdeu os anteriores? Confira aqui:

1. A decisão de viajar sozinha e de mochila

2. Planejar e Cruzar fronteira

3. Buenos Aires, querida e louca!

1 comentário

Arquivado em América do Sul, Argentina, Destinos

Mochilão América do Sul: Buenos Aires, querida e louca!

Entardecer na Recoleta

Entardecer na Recoleta

A chegada a Buenos Aires, 20 horas depois – três a mais que o previsto, devido a um congestionamento para entrar na região da capital porteña, confirmava a expectativa: a aventura começava ali.

Minha primeira emoção foi o senhor que tirava as malas do ônibus me olhando feio e resmungando algo que eu e meu portunhol (de mierda) não entendíamos. Algum tempo depois percebi que ele queria a propina (gorjeta em espanhol), que eles realmente levam a sério por lá. Na dúvida dei 5 ARS , ele pareceu mais feliz e segui em frente.

Nos meus sete dias em Buenos Aires, fora toda a parte turística e super conhecida por nós brasileiros, como Recoleta, Malba, Palermo, Caminito e outras mais, conheci cantinhos que pareceram ainda mais especiais, como o Rio de la Plata e seu teatro a céu aberto, que tem um acesso escondido próximo a Ponte Saavedra e o espaço Konex, que recebe muitos viajantes adeptos do CouchSurfing, mas que provavelmente, você não vai ouvir falar em uma agência de viagens.

Falando nisso, foi em Buenos Aires que fiz meu primeiro couchsurfing. Tudo bem, que já conhecia meu host, pois o havia recebido com um grupo de amigos, todos argentinos para um passeio por São Paulo. Mas, a experiência de estar dentro da casa de alguém praticamente desconhecido, ter suas chaves em mãos, entrar e sair quando bem entender, era completamente nova e até um pouco estranha. Logo comecei a me sentir bem com a situação, uma das grandes descobertas de viajar se hospedando em casa de locais é ver como existem pessoas que sabem e gostam de receber.

Não foi a primeira vez que estive em Buenos Aires, mas nada como ter um guia local para descobrir de verdade uma cidade, principalmente quando a viajante é uma curiosa que pergunta sobre tudo, o tempo inteiro.

Dessa vez pude ver uma Buenos Aires muito mais frenética do que tive a oportunidade de conhecer antes, uma cidade como a minha São Paulo e outras grandes cidades pelo mundo, que crescem desordenadas e com uma pressa de chegar sabe se lá onde e porquê… e assim, muitos esquecemos de ver o que se tem de mais lindo e escondido entre tantos prédios.

Cores, árvores, pessoas e carros, um mix bem porteño

E Buenos Aires ainda guardava muitas emoções…

Lá fiquei doente pela primeira vez durante meu mochilão. Sim, tiveram outras e juntas fizeram valer cada centavo do seguro que eu fiz pela Intermac Assistence.

Me lembro bem da sensação de desespero, sozinha no hospital, quando me perguntavam algo como “Cual es su apechido?” e eu “Que? Apechido? No sé, tengo dolor!!!”. Até que entendi que me perguntavam qual é meu apellido (sobrenome em espanhol). Os porteños tem esse jeitinho bem diferente de falar, o que complica a comunicação, mas nada que gestos e um pouco de persistência não resolva. Para eles o ll soa como o nosso ch, enquanto nos demais países soa mais como nosso lh.  E também não existe o tu (você) e sim vos, o que acaba mudando toda a conjugação dos verbos.

Resolvido os desentendimentos de linguagem, fui atendida, tomei uns antibióticos e fiquei bem, mas assustada. E a partir dali comecei a pensar que não conseguiria viajar mais que um mês sozinha.

Tudo bem se eu resolvesse voltar antes, mas por enquanto iria continuar  a viagem, o próximo destino me esperava: Córdoba.

Já esteve em Buenos Aires? Conta pra gente como foi nos comentários e compartilhe fotos na nossa Fan Page e/ou instagram usando #levonamochila

Buenos Aires, vale mais de um post aqui, quero contar tudo do Konex para vocês,  dos shows incríveis que acontecem por lá e, compartilhar a lista de lugares a se conhecer que meu host fez para mim, mas por hora,  algumas fotos e um trecho do filme Medianeras, que vi faz algum tempo e não saia dos meus pensamentos enquanto estava lá, pois muito traduz essa cidade, querida e louca!

Espaço cultural Konex

Espaço cultural Konex

Teatro a céu aberto na margem do rio de La Plata

Muros expressivos de Buenos Aires

Muros expressivos de Buenos Aires

Hosts especiais, empanadas especiais. Feitas por Belén Callara e de recheio único, lentilhas :)

Medianeras em espanhol, não encontrei com legendas. Se alguém encontrar, me avisa, por favor, vale a pena.

Este é o terceiro post da série Mochilão América do Sul.

Confira os post anteriores:

1. A decisão de viajar sozinha e de mochila: http://tinyurl.com/viajarsozinha

2. Planejar e Cruzar fronteira: http://tinyurl.com/cruzarfronteiras

3 Comentários

Arquivado em América do Sul, Argentina, Destinos

Mochilão América do Sul – Planejar e cruzar fronteiras

Cruzando fronteiras

Cruzando fronteiras

Depois de decidir viajar, chegou o momento de planejar.

Horas e horas em frente ao mapa, entendendo caminhos e distâncias (geografia nunca foi o meu forte), conhecendo ainda sem sair de casa sobre as culturas dos países que gostaria de visitar, entendendo as roubadas e o melhor de cada lugar.

Gosto bastante dessa etapa, para mim a viagem já começa aí.

Ler os relatos de viagem de outros viajantes ajudou muito. Viajar sozinho e de mochila é mais simples do que parece, mas é importante estar sempre o mais informado o possível. Para isso o Levo na Mochila está aqui e mais um montão de blogs e fóruns de viagens. Os guias de viagem ajudam muito nessa etapa também e meu grande amigo foi o Guia Criativo do Viajante Independente na América do Sul.

Após analisar quais seriam os possíveis pontos de partida do meu mochilão, escolhi a Argentina. Opção que me pareceu a mais  tranquila para começar e me adaptar a vida de mochileira.

A princípio eu teria 3 meses para viajar e a difícil decisão de escolher quais países visitar, os que cabiam na verba e na coragem de uma viajante principiante. Deixei o Brasil pensando em conhecer Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Equador e Colômbia, mas estava super aberta a mudar a rota conforme as descobertas e sim, tudo mudou ao longo do caminho.

Dia 28 de junho de 2012 deixei São Paulo rumo a Foz do Iguaçu, de avião, o único de toda a viagem. Sabia que de Foz saia um coletivo para Puerto Iguazú e logo que desembarquei, busquei informações de onde pegá-lo. Não conheci o lado brasileiro das Cataras do Iguaçu neste primeiro momento, a pedido da minha família que planejava uma viagem para lá e gostaria que fizéssemos essa viagem juntos. Eu ainda não sabia que terminaria meu mochilão no Brasil, exatamente nas maravilhosas cataratas ao lado das pessoas que mais amo <3

Nunca tinha cruzado uma fronteira por terra e estava bastante nervosa, atrapalhada com a mochila, sem entender bem a lógica de onde entra, onde sai, com o motorista do ônibus falando rápido, apressando a todos. Os cartazes desbotados de pessoas e crianças desaparecidas dava um clima um pouco pesado. Atravessar fronteiras de ônibus é bem diferente do que de avião, mas acabou sendo fácil, percebi que era bobagem o nervosismo.

Vale lembrar que, salvo Guiana Francesa, nós brasileiros não precisamos de visto para nenhum país da América do Sul. Em geral os países nos dão uma permissão de 3 meses de permanência. Diferente da Europa, a permissão vale para cada país e não para toda a região. 

E quando se entra na Argentina por Puerto Iguazú é preciso avisá-los caso vá continuar viagem Argentina a dentro, muitas vezes eles só registram no sistema e não dão o carimbo com a permissão de 90 dias, o que te dará problemas ao tentar sair do país por outras fronteiras.

Tudo perfeito no meu primeiro cruze de fronteiras. O único problema foi a polícia argentina não me pedir o carimbo de saída do Brasil, que eu só descobri ser necessário depois na volta, o que quase me causou um problema para entrar no Brasil.

Em terras hermanas, ainda na rodoviária me informei que dali saem ônibus para  às cataratas, que visitaria no dia seguinte e já aproveitei para rodar em busca das passagens mais baratas a Buenos Aires.

Foram 3 dias na pequena Puerto Iguazú, confiram o post com algumas dicas do que aproveitar, onde comer e se hospedar por lá. A viagem tinha começado, mas ainda não me sentia em terras estrangeiras.  Puerto por sua proximidade com o Brasil ainda tem muito de nosso jeitinho, até caipirinha de cortesia me ofereceram nos restaurantes e meu sinal de celular ainda funcionava através das antenas do Paraná.

Eu estava ansiosa para enfrentar as 17 horas de viagem rumo a Buenos Aires, sentia que ali meu mochilão começaria pra valer.

Aquele momento em que só nos sai um "nooosaaa!"

Aquele momento em que só nos sai um “nooosaaa!”

Dicas úteis

Coletivo de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú 
8 ARS (pesos argentinos) ou R$ 4,00 (Valores em junho de 2012)
O ônibus passa pela Avenida das Cataratas em frente ao Hotel Bourbon. Se você está no aeroporto precisa pegar um ônibus sentido centro, descer em frente ao hotel, atravessar a avenida e pegar o outro ônibus. Pergunte mais informações nos postos de informação turística.
 
É uma maneira econômica de cruzar as fronteiras brasileiras e começar o seu Mochilão pela América do Sul, principalmente se você mora nas regiões Sul e Sudeste. Começou seu mochilão pela América do Sul por outra fronteira? Conta pra gente nos comentários como foi ;)
 
Viajando em ônibus pela Argentina
Viajar de ônibus pela Argentina não é exatamente barato, mas sempre pode-se encontrar promoções, principalmente quando se tem disponibilidade de horários. Para pesquisar preços, horários e companhias de ônibus, eu usei o site Central de Pasajes. Mas, para comprar a melhor maneira é perguntar nos guichês das companhias dentro das rodoviárias e sempre buscar promoções, chorar um descontinho. Às vezes se perde uns 15 minutos ou mais de guichê em guichê, mas vale a pena.
 
Este é o segundo post da série Mochilão América do Sul.
Não leu o primeiro? Confira aqui: A decisão de viajar sozinha e de mochila
 
 
Fotos por Danyelle Fioravanti

2 Comentários

Arquivado em América do Sul, Argentina, Destinos

Mochilão América do Sul – A decisão de viajar sozinha e de mochila

Cenário espetacular, rumo ao Salar do Uyuni. Laguna Blanca, Bolívia.

Cenário espetacular, rumo ao Salar do Uyuni. Laguna Blanca, Bolívia.

A parte mais difícil de decidir fazer um mochilão pela América do Sul , foi exatamente a decisão de fazê-lo.

Afinal, isso significava deixar oportunidades profissionais, gastar todo (ou quase todo) dinheiro que havia guardado nos últimos anos e enfrentar a estrada, como eu nunca tinha enfrentado: sozinha, com a mochila nas costas, passando por países e situações considerados não tão seguros (mitos ou verdades que só a vivência me ajudou a descobrir).

A Dany que cruzou a fronteira Bolívia-Brasil em novembro de 2012 não é a mesma que 4 meses antes cruzava Brasil-Argentina, ansiosa pelo que viria pela frente, medrosa, gaguejando um portunhol e mal aguentando a mochila de 17kg nas costas. Mochila que ao regresso pesava 22kg – 5kg a mais que a experiência dos meses na estrada, me ajudaram a tirar de letra.

Realmente uma viagem nos dá muito o que levar na mochila e não falo de souvenirs, mas histórias e lembranças impagáveis e inesquecíveis.

Mas não, os 5 kg a mais da minha mochila não eram das histórias, essas muito agregam e pouco pesam e, sim roupas  usadas no inverno chileno que já não me serviam ao ingressar no caloroso pantanal brasileiro.

Foram 146 dias; mais de 40 cidades entre Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Brasil, rodadas em ônibus, somando viagens de mais de 20 horas em muitas das rotas; ficando 3 vezes doente, o que me fez valorizar cada centavo gasto no meu seguro viagem; convivendo com pessoas locais, dormindo, comendo e vivendo como eles e com eles, fosse através do couchsurfing ou também das pessoas que conheci pelo caminho.

E apesar de cada viagem ser única e pessoal, convido vocês a acompanharem essa série de publicações, onde vou dividir um pouco do que vivi neste mochilão, levá-los a viajar comigo pelos lugares que passei, explicar como superei os desafios e mostrar que viajar sozinha ou sozinho, com mochila nas costas, explorando as culturas maravilhosas da nossa América do Sul, não é tão caro ou difícil como parece. Ao longo das publicações também vou dividir dicas práticas e alternativas que encontrei para economizar e apreciar mais cada lugar em que estive.  

Foram apenas 5  países, mas que tentei conhecer ao máximo. Ainda assim, sinto que me falta muito para conhecer dos países nos quais estive e claro, dos que ainda nem visitei.

A ideia é que todos vocês compartilhem também suas dúvidas e experiências aqui nos comentários, por email (levonamochila@gmail.com), Fan Page ou no instagram usando #levonamochila. E assim, vamos trocando experiências e inspirando cada vez mais pessoas a viajar.

Convite feito, espero vocês na próxima quarta-feira ;)

Nas Salineiras de Maras no Peru

Nas Salineiras de Maras no Peru

Nos canais de Córdoba na Argentina

Nos canais de Córdoba na Argentina

No Vale da Morte, Deserto do Atacama, Chile

No Vale da Morte, Deserto do Atacama, Chile

Cruzando a fronteira, de volta as terras brasileiras

Cruzando a fronteira, de volta as terras brasileiras

1 comentário

Arquivado em América do Sul, Argentina, Bolívia, Chile, Destinos, Peru

Puerto Iguazú – As Cataratas do Iguaçu e atrativos da cidade

Lindo e colorido céu de Puerto Iguazú

Lindo e colorido céu de Puerto Iguazú

Puerto Iguazú é uma pequena cidade da província de Misiones na Argentina, fronteira com o Paraguay (Ciudad del Este) e o Brasil (Foz do Iguaçu).

Apesar de pequena, Puerto abriga em sua fronteira com o Brasil, parte de umas das grandes maravilhas naturais do mundo: As Cataratas do Iguaçu.

Eu imaginava que as cataratas seriam muito bonitas, mas me surpreenderam, são mais impressionantes do que pude imaginar.  A proximidade que se pode chegar desta maravilha, pelas passarelas do lado Argentino, são de tirar o ar.

Algumas dicas:

– O que fazer em Puerto Iguazú

 Cataratas do IguaçuSem dúvidas, o principal motivo para se visitar Puerto Iguazú. É possível fazer os circuitos pelas cataratas argentinas em um dia, mas se não está com pressa vale dividir em dois e o segundo sai pela metade do preço (para brasileiros e outros países do Mercosul 90 pesos o primeiro dia e 45 o segundo – valores atualizados no site oficial da Iguazú Argentina). A  Garganta do Diabo é imperdível, diferente do lado brasileiro, chega-se muito próximo e  a força da água impressiona. Prepare-se para se molhar.

 *São organizados passeios de barco, de bicicleta na lua cheia, confiram mais informações aqui.

Marco três fronteiras: As margens do Rio Iguaçu se pode observar as fronteiras entre Argentina, Brasil e Paraguai.

Passeio pelo centro: Caminhar pelo centro de Puerto Iguazú releva sua identidade meio argentina, meio brasileira: cruzei com muita gente falando português, ouvi música brasileira e ganhei caipirinha de cortesia.  No centro de Puerto você pode começar a se aventurar pela gastronomia argentina, além de encontrar comidas para todos os gostos, barzinhos, sorveterias e lojinhas de souvernis.

Feirinha de Puerto Iguazú: Uma feirinha repleta de especialidades argentinas, azeitonas recheadas, salames, pimentas, doces de leite, alfajores, vinhos. Existem também alguns barzinhos no meio da feirinha que vendem empanadas e outros quitutes. Os preços são baratos e muitos vendedores aceitam real. Maravilha!

 – Onde comer em Puerto Iguazú

Yuca: Comida ítalo-argentina (existe esse termo?). Comi uma ótima pizzela acompanhada de uma Pepsi 500ml por  29 pesos. Ótimo para uma comida rápida e saborosa.

Puerto Bambu: Boa música, ambiente e atendimento. Foi neste restaurante que comi meu primeiro beef de chorizo, pedida obrigatória em uma visita à Argentina.

– Onde se hospedar em Puerto Iguazú

Eu me hospedei no hostel Park Iguazú, que foi uma opção bastante econômica. Não foi dos melhores hostels que já me hospedei, mas dá para encarar.  Minha sugestão para quem quer conhecer os dois lados das cataratas é se hospedar  em Foz do Iguaçu – Brasil no Paudimar Hostel da rede HI, encontra-se camas a partir de R$30,00.

– Viajando de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú

Saem ônibus de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú por 8 ARS ou R$4,00. O ônibus te deixa na rodoviária de Puerto Iguazú de onde saem ônibus para as cataratas por  10 ARS (pesos) (valores em junho de 2012).

Passarelas argentinas, circuito inferior – Cataratas do Iguaçu

Vista das passarelas argentinas, circuito superior – Cataratas do Iguaçu

Quatis espertos

O senhor alimentava os passarinhos e eu admirava a harmonia entre o homem e a natureza

Borboletas colorindo o caminho à Garganta del Diablo

Garganta del Diablo

Fotos por Danyelle Fioravanti

1 comentário

Arquivado em América do Sul, Argentina, Destinos