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Mochilão América do Sul – A decisão de viajar sozinha e de mochila

Cenário espetacular, rumo ao Salar do Uyuni. Laguna Blanca, Bolívia.

Cenário espetacular, rumo ao Salar do Uyuni. Laguna Blanca, Bolívia.

A parte mais difícil de decidir fazer um mochilão pela América do Sul , foi exatamente a decisão de fazê-lo.

Afinal, isso significava deixar oportunidades profissionais, gastar todo (ou quase todo) dinheiro que havia guardado nos últimos anos e enfrentar a estrada, como eu nunca tinha enfrentado: sozinha, com a mochila nas costas, passando por países e situações considerados não tão seguros (mitos ou verdades que só a vivência me ajudou a descobrir).

A Dany que cruzou a fronteira Bolívia-Brasil em novembro de 2012 não é a mesma que 4 meses antes cruzava Brasil-Argentina, ansiosa pelo que viria pela frente, medrosa, gaguejando um portunhol e mal aguentando a mochila de 17kg nas costas. Mochila que ao regresso pesava 22kg – 5kg a mais que a experiência dos meses na estrada, me ajudaram a tirar de letra.

Realmente uma viagem nos dá muito o que levar na mochila e não falo de souvenirs, mas histórias e lembranças impagáveis e inesquecíveis.

Mas não, os 5 kg a mais da minha mochila não eram das histórias, essas muito agregam e pouco pesam e, sim roupas  usadas no inverno chileno que já não me serviam ao ingressar no caloroso pantanal brasileiro.

Foram 146 dias; mais de 40 cidades entre Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Brasil, rodadas em ônibus, somando viagens de mais de 20 horas em muitas das rotas; ficando 3 vezes doente, o que me fez valorizar cada centavo gasto no meu seguro viagem; convivendo com pessoas locais, dormindo, comendo e vivendo como eles e com eles, fosse através do couchsurfing ou também das pessoas que conheci pelo caminho.

E apesar de cada viagem ser única e pessoal, convido vocês a acompanharem essa série de publicações, onde vou dividir um pouco do que vivi neste mochilão, levá-los a viajar comigo pelos lugares que passei, explicar como superei os desafios e mostrar que viajar sozinha ou sozinho, com mochila nas costas, explorando as culturas maravilhosas da nossa América do Sul, não é tão caro ou difícil como parece. Ao longo das publicações também vou dividir dicas práticas e alternativas que encontrei para economizar e apreciar mais cada lugar em que estive.  

Foram apenas 5  países, mas que tentei conhecer ao máximo. Ainda assim, sinto que me falta muito para conhecer dos países nos quais estive e claro, dos que ainda nem visitei.

A ideia é que todos vocês compartilhem também suas dúvidas e experiências aqui nos comentários, por email (levonamochila@gmail.com), Fan Page ou no instagram usando #levonamochila. E assim, vamos trocando experiências e inspirando cada vez mais pessoas a viajar.

Convite feito, espero vocês na próxima quarta-feira ;)

Nas Salineiras de Maras no Peru

Nas Salineiras de Maras no Peru

Nos canais de Córdoba na Argentina

Nos canais de Córdoba na Argentina

No Vale da Morte, Deserto do Atacama, Chile

No Vale da Morte, Deserto do Atacama, Chile

Cruzando a fronteira, de volta as terras brasileiras

Cruzando a fronteira, de volta as terras brasileiras

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Fête de la Music: um festival para celebrar a música

Fête de la Music é uma celebração à música que acontece por toda a França no dia 21 de Junho. Há música em todos os cantos das cidades francesas, cada uma com a sua programação especial. Jazz, rock, eletrônico e outros ritmos convivem nas calçadas de cidades seculares.

Além da música, as pessoas e suas histórias me chamaram a atenção. Você encontra todo tipo de pessoa nas ruas para essa celebração, sejam crianças, jovens ou idosos. Eles apoiam os artistas que estão tocando, cantam e dançam todos os ritmos.

Em Cannes, na pequena praça da cidade, uma orquestra de estudantes se prepara para tocar no coreto. É impossível não ficar perplexa em encontrar uma orquestra dessas praticamente no meio da rua. A platéia começa se formar e aguarda ansiosa. Eles começam a tocar o tema de Star Wars e depois emendam outros temas de filmes clássicos do cinema americano que te fazem relembrar a infância.

Minha maior comemoração desse dia foi em Antibes, uma cidadezinha localizada entre Cannes e Nice. De Cannes até lá é preciso pegar um trem, que custa aproximadamente €2,50, e quando descer em Antibes é só ir até o centro que fica a cerca de 15 minutos a pé.

Eu ia de bar em bar com a Gi, minha amiga, passeando pelas ruelas históricas da cidade atrás de um som novo.  Ouvi de hip hop cantado em francês à bandas de rock irlandesas.

Lembro de uma menina de uns oito anos curtindo Killing in the name, do Rage Agains the Machine, como uma verdadeira headbanger. Sua sandália cor-de-rosa não fazia a mínima diferença nessa hora. Ela simplesmente estava curtindo a música sem preconceito algum.

Duas meninas dançavam ao som de uma banda de jazz, uma delas surpresa por estar fazendo aquilo em frente de todo mundo, mas radiante por estar se divertindo tanto. Uma das meninas usava uma flor vermelha no cabelo, mas com o balançar vigoroso do jazz, sua flor cai no chão. Ficam envergonhadas, sem razão, e alguns minutos depois vão embora. Um moço pega aquela flor caída no chão e vai atrás da menina para devolvê-la à sua dona. Fico imaginando como foi esse encontro e se os dois se tornaram amigos, ou quem sabe algo mais. Olha o vídeo delas dançando:

Ainda estou no meu canto, curtindo toda aquela festa ao ar livre, mas ainda quieta, quando alguém me puxa para dançar. E o festival segue dessa forma: conhecendo pessoas e interagindo mesmo sem usarmos palavras.

Esse é só um pedacinho do festival da música na França, cheia de histórias e músicas inspiradoras para ver, viver e sentir. Se você está planejando o seu mochilão pela Europa no próximo verão, vale a pena incluir a França nessa data. O melhor de tudo, é que o festival é de graça, tudo ao ar livre. Perfeito para o mochileiro que não pode gastar muito.

Se você já foi, ou se for um dia, no Fête de La Music, compartilha essa experiência com a gente!

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Uma viagem entre amigos pelo Litoral Norte de São Paulo


Litoral Norte – SP no maps

 Para ler ouvindo: Lonely Boy – The Black Keys 

Verão + amigos + vontade de viajar – dinheiro = Dany e Fer planejando a melhor viagem gastando pouco em 3, 2, 1…

Com esse solzão lindo brilhando, fica difícil resistir a vontade de cair na estrada, mas com a grana curta vale a procura por opções baratas. Assim, resolvemos alugar um apartamento para 10 pessoas em Caraguatatuba, nosso cantinho no litoral norte, que para muitos é a prima feia das praias da região, mas para nós é um lugarzinho especial e querido :)

Chamamos os amigos que não recusam uma oportunidade de mochilar e saímos rumo a Caraguá para um final de semana incrível, de calor, risadas e com muitas fotografias mentais (daquelas que a gente fica suspirando ao lembrar). Tivemos ainda a ilustre presença do Sergio, vocês lembram dele? O gerente do Lagoa Hostel em Floripa, que virou nosso amigo da primeira vez fomos pra lá e depois voltamos para passar a virada do ano juntos. Pois é, ele viajou dez horas SÓ para passar o final de semana com a gente. Isso sim que é ter gosto pela estrada e por nós também, né? ♥ (E se a gente contasse a história dele aqui, vocês iam ver que de estrada ele entende)

Outra tática para gastar pouco foi cozinhar em casa, alugamos o Sergio que, além de tudo, cozinha maravilhosamente bem. Detalhe: só comida vegetariana de fazer qualquer apaixonado por carne lamber os beiços. E também colocar a coqueteleira da Dany para trabalhar… e não é que ela tá mandando bem nos drinks?

Foi a primeira vez que as mochileiras aqui viajaram com um grupo tão grande e se vocês acham que um apartamento para dez pessoas é sinônimo de confusão, não com essa galera. Alguns nem se conheciam antes de ir, mas chegando lá, pensem em um entrosamento. Viajar é isso, uma convivência tão próxima que estreita laços. Se todos estão na mesma intenção, faça sua chuva ou faça sol a diversão é garantida, porque o que vale é rir do universo e do que ele apronta com a gente.

Aproveitamos o sábado de sol em Caraguá e no domingo optamos pelo caminho mais longo de volta pra casa: Estrada Rio-Santos (e Av. Manoel Hipólito do Rego). E não é que o universo aprontou uma boa com a gente?! A volta pra casa foi cereja do bolo da viagem. Para quem não conhece, a Rio-Santos é uma estrada que vai beirando as praias do litoral norte de São Paulo, passando bem pertinho do mar e garantindo um espetáculo visual.

Uma paradinha para molhar os pés em Toque Toque Grande – São Sebastião, nos rendeu a promessa de que esse seria um dos próximos destinos. Para almoçar paramos em Maresias – São Sebastião, aliás, para jantar, afinal já estávamos “em um relacionamento sério” com a estrada há mais de três horas, tempo suficiente para já termos chegado em São Paulo pelo caminho convencional (Tamoios – Carvalho Pinto – Ayrton Senna), ainda bem que de convencional não temos nada.

Maresias nos rendeu um maravilhoso pôr do sol como despedida… E lá fomos nós,  voltar para casa sonhando com a próxima viagem.

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Floripa, aí se eu te pego!

 
Para ler ouvindo: TOP FIVE ESPECIAL EDITION
 
1. Road Trippin’ – Red Hot Chilli Peppers
2. All my life – Foo Fighters
3. Call your girl friend – Robyn
4. Balada Boa – Gustavo Lima
5.  Ai Se Eu Te Pego – Michel Teló 
 

É, Florianópolis pegou a gente de jeito (lembram-se da série de posts da nossa primeira viagem pra lá? Confiram aqui, aqui e aqui) e foi o lugar escolhido para entrarmos em 2012 com o pé direito.

Não sabemos explicar o que acontece com esse lugar, se é o clima, as praias, as pessoas… mas Floripa realmente nos cativou e ainda não conheci alguém que foi pra lá e não voltou com vontade de ficar. (Nossa mochileira agregada que o diga né, Kelly?)

Dessa vez ficamos hospedadas em uma pousada em Canasvieiras, uma praia no norte da ilha, conhecida por receber os vizinhos Uruguaios, Argentinos, Paraguaios e Chilenos (Só dava Uruguaio dançarino de reggaeton. Danzaaaa Kudurohê). Apesar de ser uma praia turística, as coisas por lá não são caras. Almoçamos em lugares bem gostosos, como a Capetaria Porto Seguro, onde os pratos são enormes e gastamos nos máximo R$20 reais, incluindo bebida.

Conhecemos também a famosa Jurerê Internacional, a praia mais VIP de Floripa. Lá os preços são bem diferentes, mas as barracas de drinks que ficam pela areia, vendem caipirinhas ótimas por R$15,00 o copo de 500ml. Justíssimo!

Fizemos um passeio de escuna muito animado na Escuna do Capitão Gancho, saindo de Canasvieras e passando por lugares lindos, como a Ilha do francês, Costeira da Armação e Ilha de Anhatomirim.

E claro, voltamos ao nosso amado cantinho da ilha: A Lagoa da Conceição (own!).

Passamos a virada mais animada da vida em uma festa no Hostel Green House. Que é lindo, mas um pouco longe de tudo. A praia mais próxima é a do Campeche, onde pulamos as nossas sete ondinhas. A festa foi organizada em parceria com o Lagoa Hostel, nosso queridinho em Floripa.

Vocês devem estar pensando: “Essas meninas ganharam na Mega-Sena da Virada?” Não! Fuçando na internet encontramos a Ecotrips que realiza viagens com preços ótimos, incluindo hospedagem, transporte e a companhia de uma galera muito animada. Depois da experiência de Floripa, o Levo na Mochila prevê altas aventuras com clima de azaração, aprontando muitas confusões com essa turminha do barulho. #sessaodatardefeelings

Mais dicas? Continue lendo.

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