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Mochilão América do Sul – Planejar e cruzar fronteiras

Cruzando fronteiras

Cruzando fronteiras

Depois de decidir viajar, chegou o momento de planejar.

Horas e horas em frente ao mapa, entendendo caminhos e distâncias (geografia nunca foi o meu forte), conhecendo ainda sem sair de casa sobre as culturas dos países que gostaria de visitar, entendendo as roubadas e o melhor de cada lugar.

Gosto bastante dessa etapa, para mim a viagem já começa aí.

Ler os relatos de viagem de outros viajantes ajudou muito. Viajar sozinho e de mochila é mais simples do que parece, mas é importante estar sempre o mais informado o possível. Para isso o Levo na Mochila está aqui e mais um montão de blogs e fóruns de viagens. Os guias de viagem ajudam muito nessa etapa também e meu grande amigo foi o Guia Criativo do Viajante Independente na América do Sul.

Após analisar quais seriam os possíveis pontos de partida do meu mochilão, escolhi a Argentina. Opção que me pareceu a mais  tranquila para começar e me adaptar a vida de mochileira.

A princípio eu teria 3 meses para viajar e a difícil decisão de escolher quais países visitar, os que cabiam na verba e na coragem de uma viajante principiante. Deixei o Brasil pensando em conhecer Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Equador e Colômbia, mas estava super aberta a mudar a rota conforme as descobertas e sim, tudo mudou ao longo do caminho.

Dia 28 de junho de 2012 deixei São Paulo rumo a Foz do Iguaçu, de avião, o único de toda a viagem. Sabia que de Foz saia um coletivo para Puerto Iguazú e logo que desembarquei, busquei informações de onde pegá-lo. Não conheci o lado brasileiro das Cataras do Iguaçu neste primeiro momento, a pedido da minha família que planejava uma viagem para lá e gostaria que fizéssemos essa viagem juntos. Eu ainda não sabia que terminaria meu mochilão no Brasil, exatamente nas maravilhosas cataratas ao lado das pessoas que mais amo <3

Nunca tinha cruzado uma fronteira por terra e estava bastante nervosa, atrapalhada com a mochila, sem entender bem a lógica de onde entra, onde sai, com o motorista do ônibus falando rápido, apressando a todos. Os cartazes desbotados de pessoas e crianças desaparecidas dava um clima um pouco pesado. Atravessar fronteiras de ônibus é bem diferente do que de avião, mas acabou sendo fácil, percebi que era bobagem o nervosismo.

Vale lembrar que, salvo Guiana Francesa, nós brasileiros não precisamos de visto para nenhum país da América do Sul. Em geral os países nos dão uma permissão de 3 meses de permanência. Diferente da Europa, a permissão vale para cada país e não para toda a região. 

E quando se entra na Argentina por Puerto Iguazú é preciso avisá-los caso vá continuar viagem Argentina a dentro, muitas vezes eles só registram no sistema e não dão o carimbo com a permissão de 90 dias, o que te dará problemas ao tentar sair do país por outras fronteiras.

Tudo perfeito no meu primeiro cruze de fronteiras. O único problema foi a polícia argentina não me pedir o carimbo de saída do Brasil, que eu só descobri ser necessário depois na volta, o que quase me causou um problema para entrar no Brasil.

Em terras hermanas, ainda na rodoviária me informei que dali saem ônibus para  às cataratas, que visitaria no dia seguinte e já aproveitei para rodar em busca das passagens mais baratas a Buenos Aires.

Foram 3 dias na pequena Puerto Iguazú, confiram o post com algumas dicas do que aproveitar, onde comer e se hospedar por lá. A viagem tinha começado, mas ainda não me sentia em terras estrangeiras.  Puerto por sua proximidade com o Brasil ainda tem muito de nosso jeitinho, até caipirinha de cortesia me ofereceram nos restaurantes e meu sinal de celular ainda funcionava através das antenas do Paraná.

Eu estava ansiosa para enfrentar as 17 horas de viagem rumo a Buenos Aires, sentia que ali meu mochilão começaria pra valer.

Aquele momento em que só nos sai um "nooosaaa!"

Aquele momento em que só nos sai um “nooosaaa!”

Dicas úteis

Coletivo de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú 
8 ARS (pesos argentinos) ou R$ 4,00 (Valores em junho de 2012)
O ônibus passa pela Avenida das Cataratas em frente ao Hotel Bourbon. Se você está no aeroporto precisa pegar um ônibus sentido centro, descer em frente ao hotel, atravessar a avenida e pegar o outro ônibus. Pergunte mais informações nos postos de informação turística.
 
É uma maneira econômica de cruzar as fronteiras brasileiras e começar o seu Mochilão pela América do Sul, principalmente se você mora nas regiões Sul e Sudeste. Começou seu mochilão pela América do Sul por outra fronteira? Conta pra gente nos comentários como foi ;)
 
Viajando em ônibus pela Argentina
Viajar de ônibus pela Argentina não é exatamente barato, mas sempre pode-se encontrar promoções, principalmente quando se tem disponibilidade de horários. Para pesquisar preços, horários e companhias de ônibus, eu usei o site Central de Pasajes. Mas, para comprar a melhor maneira é perguntar nos guichês das companhias dentro das rodoviárias e sempre buscar promoções, chorar um descontinho. Às vezes se perde uns 15 minutos ou mais de guichê em guichê, mas vale a pena.
 
Este é o segundo post da série Mochilão América do Sul.
Não leu o primeiro? Confira aqui: A decisão de viajar sozinha e de mochila
 
 
Fotos por Danyelle Fioravanti

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Mochilão América do Sul – A decisão de viajar sozinha e de mochila

Cenário espetacular, rumo ao Salar do Uyuni. Laguna Blanca, Bolívia.

Cenário espetacular, rumo ao Salar do Uyuni. Laguna Blanca, Bolívia.

A parte mais difícil de decidir fazer um mochilão pela América do Sul , foi exatamente a decisão de fazê-lo.

Afinal, isso significava deixar oportunidades profissionais, gastar todo (ou quase todo) dinheiro que havia guardado nos últimos anos e enfrentar a estrada, como eu nunca tinha enfrentado: sozinha, com a mochila nas costas, passando por países e situações considerados não tão seguros (mitos ou verdades que só a vivência me ajudou a descobrir).

A Dany que cruzou a fronteira Bolívia-Brasil em novembro de 2012 não é a mesma que 4 meses antes cruzava Brasil-Argentina, ansiosa pelo que viria pela frente, medrosa, gaguejando um portunhol e mal aguentando a mochila de 17kg nas costas. Mochila que ao regresso pesava 22kg – 5kg a mais que a experiência dos meses na estrada, me ajudaram a tirar de letra.

Realmente uma viagem nos dá muito o que levar na mochila e não falo de souvenirs, mas histórias e lembranças impagáveis e inesquecíveis.

Mas não, os 5 kg a mais da minha mochila não eram das histórias, essas muito agregam e pouco pesam e, sim roupas  usadas no inverno chileno que já não me serviam ao ingressar no caloroso pantanal brasileiro.

Foram 146 dias; mais de 40 cidades entre Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Brasil, rodadas em ônibus, somando viagens de mais de 20 horas em muitas das rotas; ficando 3 vezes doente, o que me fez valorizar cada centavo gasto no meu seguro viagem; convivendo com pessoas locais, dormindo, comendo e vivendo como eles e com eles, fosse através do couchsurfing ou também das pessoas que conheci pelo caminho.

E apesar de cada viagem ser única e pessoal, convido vocês a acompanharem essa série de publicações, onde vou dividir um pouco do que vivi neste mochilão, levá-los a viajar comigo pelos lugares que passei, explicar como superei os desafios e mostrar que viajar sozinha ou sozinho, com mochila nas costas, explorando as culturas maravilhosas da nossa América do Sul, não é tão caro ou difícil como parece. Ao longo das publicações também vou dividir dicas práticas e alternativas que encontrei para economizar e apreciar mais cada lugar em que estive.  

Foram apenas 5  países, mas que tentei conhecer ao máximo. Ainda assim, sinto que me falta muito para conhecer dos países nos quais estive e claro, dos que ainda nem visitei.

A ideia é que todos vocês compartilhem também suas dúvidas e experiências aqui nos comentários, por email (levonamochila@gmail.com), Fan Page ou no instagram usando #levonamochila. E assim, vamos trocando experiências e inspirando cada vez mais pessoas a viajar.

Convite feito, espero vocês na próxima quarta-feira ;)

Nas Salineiras de Maras no Peru

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Nos canais de Córdoba na Argentina

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No Vale da Morte, Deserto do Atacama, Chile

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Cruzando a fronteira, de volta as terras brasileiras

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