Planejando seu Mochilão pela América do Sul

Deserto do Atacama, Chile.

Deserto do Atacama, Chile.

Quando começamos a planejar a sonhada viagem, seja pela América do Sul ou qualquer outra parte do mundo, algumas perguntas surgem em nossas cabeças. Quando? Quanto? Como?

Acredito que as respostas para a maior parte dessas perguntas são bastante relativas, porque cada pessoa tem seu jeito de viajar, seu ritmo e seus propósitos de viagem. É aí que para mim está a magia dos blogs e fóruns, você pode encontrar pessoas parecidas e diferentes de você, se inspirar nas experiências delas e criar a sua própria maneira de viajar.

Nesse post vou tentar responder algumas dessas perguntas frequentes, a partir da minha experiência viajando sozinha por Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Brasil. Espero ajudar com meus erros e acertos ;)

Vamos lá?

1. Qual a melhor época para viajar pela América do Sul?

As regiões do Altiplano, como Peru, Bolívia e Equador tem seus meses de chuvas entre dezembro e abril. De maio a outubro a região tem seu período seco, considerado o melhor para viajar e por tanto o mais turístico.

O Salar do Uyuni, um dos grandes atrativos da região e para mim a cereja do bolo de uma viagem pela América do Sul, apresenta características bem diferentes em cada um desses períodos e merece uma visita em ambos. Na época seca é possível explorar mais o Salar, chegar mais ao seu interior e ele está branquinho como neve. Eu o visitei nessa época e é uma experiência realmente maravilhosa. Já no período de chuvas o Salar fica coberto por uma camada de água que impede que se chegue tanto ao seu interior, mas que provoca um efeito impressionante. A água no solo reflete o céu e o horizonte se perde, não se sabe o que é céu e o que é chão, provocando a impressão de estar voando. Quero muito voltar nessa época.

Eu e Aurore no Salar de Uyuni. Época Seca.

Eu e Aurore no Salar de Uyuni. Época Seca.

Roubei essa foto do site Boca Aberta para mostrar o espalho natural que se forma no Salar na época chuvosa.

Peguei essa foto do site Boca Aberta para mostrar o espelho natural que se forma no Salar de Uyuni na época chuvosa.

O Chile tem sua alta temporada de viagens no verão, que acontece na mesma época que o nosso. O inverno é muito procurado pelos turistas que buscam esquiar, mas mochileiros você encontrará poucos. Eu fui entre julho e agosto e ficava em quartos para 14 pessoas em hostels no sul do Chile sozinha. Minhas costas chegaram a travar de tanto frio. Minha melhor amiga era a estufa, não conseguia sair do lado dela. Já San Pedro de Atacama dizem estar sempre movimentado, a região é muito seca constantemente, afinal é o deserto mais seco do mundo. E pode ser bastante fria no inverno também. Costuma fazer muito sol durante o dia, protetor é fundamental, ainda que com vento geladíssimo e a noite é congelante. Uruguai e Argentina (principalmente o sul) também costumam ser bem frios no inverno, sendo mais procurados por turistas nos verão.

Outra época que os chilenos me recomendaram é setembro. Todos os anos nos dias 18 e 19 de setembro o país comemora suas festas pátrias e grande parte das empresas não trabalham durante toda essa semana. Eu não fiquei para conferir, mas dizem que é como nosso carnaval, o país inteiro entra em festa.

Visitar Machu Picchu no verão, principalmente em fevereiro, pode trazer problemas por causa das chuvas, por outro lado a paisagem está ainda mais verde e bonita. Eu visitei em outubro e foi ótimo. Recomendo essa época.

Não conheci Venezuela, Suriname e Guianas, mas dizem que por lá a palavra inverno não existe.

Protegida do vento gelado na Laguna Colorado, Bolívia.

Protegida do vento gelado na Laguna Colorado, Bolívia.

2. Quanto dinheiro preciso para viajar?

Os valores podem mudar bastante de país para país. Chile e Argentina merecem uma verba maior. Já o Peru pode sair mais barato, ainda que Lima não seja tão barata assim e a visita a Machu Picchu dependendo de como é feita pode esvaziar o bolso do viajante com pouca verba. A Bolívia é um presente, lá realmente dá para economizar sem muito esforço.

Lembre-se que diferente da Europa grande parte dos atrativos turísticos da América do Sul não estão na cidade e você precisará pagar por um tour ou pelo menos a locomoção até lá. Minha sugestão é reservar a verba dos passeios “especiais”, esses que você precisa de um deslocamento maior, como Machu Picchu, Salar do Uyuni, Islas Flotantes, Cañon del Colca, Aconcaguá e outros.

Para dar uma ideia de valores, vou passar a minha verba por dia para cada país:

Chile: 70 reais
Argentina: 70 reais
Peru: 60 reais
Bolívia: 40 reais 

Há quem viaje com menos ou muito mais. Eu me virei bem com esses valores para comer, me hospedar, comprar algumas coisinhas, fazer alguns passeios. E comi bem, viu! hê Me hospedei bastante em casas de pessoas locais, o que ajudou na economia. Também separei a verba dos passeios que mais queria fazer e dos ônibus entre uma cidade e outra (não inclusos na verba diária). No total de cinco meses, gastei 12.500 reais, contando mochila, câmera e algumas roupas de frio compradas ainda no Brasil (viajar no inverno tem esse problema, carrega mais roupas, mais peso).

A parte mais cara da viagem foi a minha volta pelo Brasil, passando pelo Pantanal, Bonito e Foz do Iguaçu. Vou fazer um post específico desses lugares, pois acabei não fazendo a conta por dia. Também vou fazer um post sobre os passeios de Machu Picchu e Salar do Uyuni, com todas as dicas de valores, como economizar, se fazer com agências ou não, etc. Me cobrem. ;)

3. Como viajar pela América do Sul?

Minha escolha foram os ônibus. Confira as dicas sobre viajar de ônibus pela América do Sul aqui.

4. Preciso de visto para entrar nos países da América do Sul?

Apenas a Guiana Francesa exige visto de brasileiros. Para entrar no Suriname e Guiana é preciso de passaporte, já para os demais apenas do RG. O tempo de permissão máxima sem visto varia de país a país, geralmente são 90 dias. No Suriname são 30. No Peru e Bolívia a imigração costuma perguntar quanto tempo você vai ficar e se você falar menos que o tempo máximo, essa será a quantidade de dias permitidos e se você não sair do país no prazo terá problemas, como pagamento de multa. Recomendo dizer uns diazinhos a mais, vai que.

5. Onde me hospedo?

Eu sou super a favor dos hostels e do CouchSurfing.

O CouchSurfing possibilita uma maior interação com a cultura local, acredito ser uma das melhores maneiras de viajar como viajante e não como turista. O site ainda não é tão popular pela América do Sul, em lugares como Bolívia e algumas partes do Peru, mas funciona super bem na Argentina e no Chile. Para quem não conhece, o CouchSurfing é uma comunidade de viajantes de diferentes partes do mundo que recebem outros viajantes em suas casas, sem cobrar por isso. Vale ressaltar que intenção do CouchSurfing não é hospedagem grátis e sim a interação entre host e hóspede.

Já os hostels possibilitam a interação com pessoas de todo o mundo. São opções econômicas onde você divide o quarto com desconhecidos, quanto mais camas no quarto, mais barato. Geralmente incluem café da manhã, serviço de internet, cozinha. Se você nunca se hospedou em hostels tire alguns mitos da mochila com esse post aqui.

Para encontrar e reservar hostels eu uso o Hostel World, nesse site  você pode verificar as opiniões de pessoas que já se hospedaram no hostel.

Fachada do hostel que me hospedei em Mendoza.

Fachada do hostel, onde me hospedei em Mendoza.

6. Como organizo meu roteiro?

Nas minhas pesquisas pré-viagem encontrei várias planilhas que ajudam a organizar o roteiro  e os custos da viagem. Você pode baixar a que usei no link: Modelo de Planilha de Viagem

Confesso que acabei não seguindo direitinho, mas é um guia. Principalmente para quem gosta de seguir o planejamento a risca.

Espero que essas dicas ajudem vocês. Vamos ainda fazer um post  com outras dicas, sobre câmbio de moedas e cartão de crédito/travel money e um sobre o que levar na mochila. Qualquer dúvida ou sugestão envia um email pra gente levonamochila@gmail.com

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Mochilão América do Sul: Cruzar a cordilheira e encontrar Santiago

Uma cidade e uma Cordilheira. Vista do Cerro Santa Lucia, no centro de Santiago.

Uma cidade e uma Cordilheira. Vista do Cerro Santa Lucia, no centro de Santiago.

Cruzando o Paso Libertadores

As fronteiras chilenas foram as mais burocráticas que cruzei pelo caminho. Ao longo da viagem conheci três das portas de entrada e saída do país: O Paso Libertadores entre Argentina-Chile na região central de Santiago; O Paso de Jama entre Bolívia e Chile na região do Atacama e o Paso Chacalluta entre Chile e Peru na região de Arica.

A Cordilheira dos Andes protege todo o país de grande parte das pragas agrícolas que existem em outras regiões da América do Sul, o que faz com que o Chile seja criterioso em suas fronteiras. Todas as malas são realmente fiscalizadas por máquinas de raio x, guardas e cachorros. E todas as pessoas revistadas. O que deveria acontecer na fronteira de qualquer país, mas…

No Paso Libertadores, minha primeira entrada no país, demoramos cerca de três horas para passar pela fronteira, o que atrasou bastante a viagem e fez com que chegássemos aos magníficos caracóis formados pela estrada que cruza os Andes do lado chileno na parte da noite. Uma pena e um motivo para cruzá-lo outra vez. Dizem que é algo impressionante de ser ver.

Chegando a Santiago

A viagem de Mendoza a Santiago que costuma demorar cerca de seis horas, demorou nove e enfim, chegamos a esperada Santiago. Eu ainda não tinha grandes planos para o Chile, queria ver alguns amigos, passar pelo Atacama e quem sabe ir ao Sul. Sabia que o país seria o mais caro da viagem, então não planejava passar muito tempo por lá. Mas, logo o país mostrou que não seria tão fácil deixá-lo.

Lugares para me hospedar não foram problema por lá, fui convidada por dois amigos que conheci em viagens a ficar em suas casas e primeiramente fui recebida pela família de um deles. Recepção mais calorosa e simpática, impossível.

Um repouso inesperado

Eu estava com aquela dorzinha no joelho que começou em Mendoza (que já não era tão dorzinha assim) e, tive que recorrer ao meu seguro viagem pela segunda vez, logo na chegada ao Chile. A visita a uma das melhores clínicas de Santiago (santo seguro!), me rendeu uma recomendação de cinco dias de repouso, dos quais só obedeci dois, além de remédios, compressas de gelo e uso de tensores.

O que parecia ser um azar de viagem se mostrou uma grande oportunidade de conviver de pertinho com uma das família mais queridas que já conheci. Até café da manhã na cama a mãe do meu amigo levou, no almoço escutava histórias de todo o Chile contados pelo pai da família. Provei pisco souer preparado por chileno, mas alá peruana, cervejas típicas do sul do Chile, vinho chileno (se cortou ou não o efeito do anti-inflamatório que eu estava tomando para o joelho, não sei), além de deliciosos pratos típicos, como os Porotos con rienda, um delicioso prato de feijão branco com talharim. Imagina se não fiquei super mal acostumada. Para mim os Gutiérrez  se tornaram a minha família chilena, morro de saudades deles e espero vê-los logo.

Mimo sem igual. Mamãe chilena pra sempre no <3

Mimo sem igual. Mamita chilena pra sempre no <3

Conhecendo a cidade pra valer

Mas, havia uma cidade lá fora me esperando e passado os dias de repouso, comecei a explorar Santiago. Apesar de cidade grande, a capital chilena me pareceu organizada e limpa, com problemas que toda cidade grande tem, mas comparado com Buenos Aires, São Paulo, Lima e La Paz, acredito que problemas como trânsito, sujeira e violência se apresentem menores por lá. Isso não é um dado estatístico, é só uma percepção e se você perguntar para um chileno, capaz que descordem de mim. Eles são bem críticos. Um problema grave por lá é a poluição, como a cidade é cercada pela Cordilheira dos Andes, quando não chove a poluição dos carros e fábricas se concentram e formam o chamado smog, uma grossa camada de poluição que deixam os céus de Santiago cinzentos e o ar impróprio.

A vida cultural e noturna da cidade é animada. Os chilenos são bons para o carrete, como eles chamam as festas (carretear é sair para festas/baladas). O bairro mais famoso da noite é o Bairro Bellavista, mas existem outras boas opções para quem gosta de um bom bar para jogar conversa, como a Plaza Ñuñoa, Providencia e Santiago Centro. Em Vitacura estão as baladas mais cuicas, termo utilizado no Chile para classificar o que é de classe alta, mais esnobe. Adoro os chilenismos, por essas e outras que muitos dizem que no Chile se fala chileno e não espanhol.

Meus bares preferidos estão no centro, região mais diversa da cidade. O La Piojera é um dos bares mais tradicionais, dizem que é o monumento aos sentimentos da nação, pois muita gente já riu, chorou e se apaixonou por lá. Merece uma visita. Prove o típico drink chileno preparado em série por lá, o Terremoto, cujos ingredientes são vinho branco, fernet (ou groselha) e sorvete de abacaxi. Acredite quando um chileno te disser para tomar só um. Eu cai na besteira de aceitar a réplica, um copinho menor que geralmente se toma depois do primeiro e ainda provar o Maremoto (mesma receita, mas com licor de menta no lugar do fernet).  O resultado foi um tremendo terremoto na minha cabeça no dia seguinte.

Outro bar que entrou na minha listinha de melhores foi o The Clinic, algo diferente de tudo que já vi, um bar digamos político. Bar político? É, prometo explicar direitinho, mas em outro post, porque esse bar rende história.

La Piojera, dizem que se chama assim, porque antigamente quando era um restaurante foi visitado por um presidente chileno que se referiu ao lugar como La Piojeira (isso mesmo de piolho), por ser um lugar frequantado pela classe baixa, principalmente por obreiros.

La Piojera. Dizem que o bar se chama assim, porque há muitos anos, quando era um restaurante foi visitado por um presidente chileno que se referiu ao lugar como La Piojera (isso mesmo de piolho), por ser um lugar frequentado pela classe baixa, principalmente por obreiros.

Terremotos La Piojeira - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Terremotos sendo produzidos em série em La Piojera.

E não vá pensando que só conheci bares por lá não, nos dez dias que passei na cidade entre idas e vindas (sempre dava um jeitinho de passar por Santiago outra vez), andei muito por suas ruas, praças, parques, cerros, museus, centro culturais. Destaco as visitas ao Cerro Santa Lucía no coração da cidade; o Centro Cultural Gabriela Mistral, um complexo cultural gigantesco, com exposições, teatro, música, biblioteca; e o Museu da Memória e dos Direitos Humanos que relembra histórias da ditadura militar no Chile e na América Latina, o museu está super bem montado e interativo, vale a visita pelo assunto e pela estrutura.

Ai, tanta coisa pra falar de Santiago, fica difícil resumir em um post. Nem preciso dizer que depois de ser conquistada pela cidade não consegui evitar conhecer mais do Chile do que o planejado.

E lá fui eu para as frias e maravilhosas regiões do rios e do lagos no sul do Chile, visitar vulcões inativos e ativos, alimentar lobos marinhos, comer deliciosos pratos de salmão, visitar cervejarias e namorar o rio Calle Calle. Se animou? Então, não perde os próximos posts da série Mochilão América do Sul, toda quarta-feira aqui no Levo na Mochila ;)

Plaza de Armas - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Monumento aos povos indígenas na Praça de Armas.

Palacio de la Moneda - Santiago - Chile

Palácio de la Moneda, sede da presidência da República Chilena.

Fuente Alemanda - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Fonte Alemã. Presente alemão aos chilenos.

Banheiros Centro de Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Algo que me surpreendeu por lá foram esses banheiros pelo centro. Você desce de escada, tendo elevadores para acessos às pessoas com deficiência, paga algo em torno de um real e usa o banheiro super higiênico. A descarga é acionada com uma alavanca pelos pés. Podia ter desse em São Paulo, né?

Vendedor de Cataventos - Santiago - Chile

Vendedor de Cataventos pelas ruas de Ñuñoa.

Museu da memória e dos direitos humanos - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Museu da memória e dos direitos humanos. Uma lembrança da época de ditaduras militar.

Cerro San Cristobán - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Subindo o Cerro San Cristobán.

Bairro Paris-Londres - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Caminhando pelo charmoso bairro Paris-Londres.

Calle Los Jasmines - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Los Jasmines, endereço que guardo grande saudade.

Confere o post anterior de série aqui: A Mendoza com segundas intenções

Fotos por Danyelle Fioravanti e Rodrigo Gutiérrez

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10 lugares para conhecer em Morro de São Paulo – Bahia

Fui para Morro de São Paulo, na Bahia, no ano novo de 2012, viajando com o meu namorado. A paisagem ainda parece intocada pelo homem, as pessoas são educadas e atenciosas e a comida deliciosa, com preço acessível. Se você gosta de uma viagem para relaxar e entrar em contato com a Natureza, esse é um lugar perfeito.

Morro de São Paulo - Segunda Praia

Morro de São Paulo – Segunda Praia

Acabei não aproveitando muitas opções que o lugar oferece, devido ao tempo que eu fiquei (3 dias só!) e ao período que fomos. Sei que as baleias Jubarte aparecem por lá e fazer um show de coreografia entre Julho e Outubro, mas não foi dessa vez que conseguimos ver. Enfim, vamos voltar um dia, por que Morro de São Paulo é apaixonante.

De qualquer forma, vou colocar aqui algumas dicas rápidas de expriências que tivemos e que vocês não podem deixar de ter.

1. Mergulhar em piscinas naturais no meio do mar. Assim do nada, no meio do mar, você encontra esse paraíso: águas cristalinas, até a cintura, onde você pode mergulhar e observar os peixes nos corais.

Piscina no meio do mar

Piscina no meio do mar

2. Visitar o Museu dos Ossos do Tavinho, em Boipeba. O Tavinho é uma figurassa! Um cara super divertido que começou a colecionar ossos e com o tempo montou um museu onde você encontra de tudo um pouco: insetos, tartarugas, aves, etc. O mais legal de visitar o lugar é passar um tempo conversando com ele sobre as mudanças do vilarejo, os naufrágios e outras histórias da região.

Tavinho, dono do Museo do Osso

Tavinho, dono do Museo do Osso

Dentro do Museu do Osso

Dentro do Museu do Osso

3. Lagosta do Guido, em Boipeba. Não é em qualquer lugar que você pode comer uma lagosta pescada e preparada na hora, com um temperinho agridoce de abacaxi,  aproveitando a vista de uma das praias mais bonitas do Brasil, com o pé na areia. O prato da lagosta custa R$35.00.

Lagosta em Boipeba

Lagosta em Boipeba

4. Restaurante flutuante em Boipeba. Os restaurantes flutuantes são bem simples, mas oferecem ostra fresca, tirada no mar na hora, por R$15,00 a porção com 12.

Restaurante flutuante - Retirando as ostras da água

Restaurante flutuante – Retirando as ostras da água

Vista de cima do restaurante flutuante

Vista de cima do restaurante flutuante

5. Assistir o pôr-do-sol do Forte do Morro, na primeira praia.

Pôr-do-Sol visto do Farol, Morro de São Paulo, Bahia

Pôr-do-Sol visto do Farol, Morro de São Paulo, Bahia

6. Comprar artesanato local. Fiquei encantada com o anel e pulseira de coco, feitos por artesãos locais. São lindos e baratos, paguei R$10 em cada um. (Depois vi em uma loja em São Paulo por R$100,00 a pulseira, e duvido que o lucro vá para o artesão).

7. Tomar caipirinha de cacau com siriguela. À noite várias barraquinhas de caipirinha são montadas pelo centro de Morro de São Paulo. Tem caipirinha de tudo e todas as combinações de frutas locais: Siriguela, Cajá e Cacau são muito boas. As que tem combinação com cacau vêm dentro da própria fruta, você não precisa usar copinho plástico!

Caipirinha no centro de Morro de São Paulo

Caipirinha no centro de Morro de São Paulo

8. Visitar Cairu, a primeira cidade do Brasil. Há controvérsias em relação ao município ser ou não a primeira cidade do Brasil, mas com certeza você consegue ver e entender o Brasil do primeiro século de descobrimento lá. Atenção às casas com Eira e sem Beira e a Igreja de Santo Antônio (já falamos disso aqui, lembra?).

Azulejo português na Igreja de Santo Antônio, Cairu -Bahia

Azulejo português na Igreja de Santo Antônio, Cairu -Bahia

9. Praia de Gamboa: É uma praia calma, onde fica Clube de Vela e o banho de argila rosa. No Clube de Vela tem aulas para quem nunca velejou, e se você já tem a habilitação, pode alugar um barco. O restaurante do lugar tem o melhor camarão que eu já comi na vida: Camarão à Samambaia, empanado com coco fresco.

Banho de argila rosa

Banho de argila rosa na Praia de Gamboa

Camarão à samambaia - Praia de Gamboa

Camarão à samambaia – Praia de Gamboa

10. Curtir a noite na segunda praia. É a praia com a vida noturna mais movimentada de Morro de São Paulo. Tem banda ao vivo, sanfoneiros e de tudo um pouco para curtir a noite sem gastar muito. Achei os restaurantes um pouco caros nessa praia, então acho melhor comer na terceira praia (tem restaurantes muito bons e baratos lá).

Você já foi para Morro de São Paulo e tem experiências para compartilhar? Manda pra a gente no levonamochila@gmail.com ou pelo Instagram com #levonamochila.

Fotos por Fabi Kanamaro

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Roteiro de 3 dias em Roma: Dia 2 – Gastronomia e Arte

O segundo dia em Roma é de arte e gastronomia, que começa com uma Cripta de freis e termina com um delicioso jantar romano.

Os três lugares gourmet nesse roteiro são para o  mochileiro aproveitar a culinária Italiana dentro do budget. Em Roma você vai encontrar só um pouquinho do que é a gastronomia da Itália, mas aproveita por que é único!

1. Catacumba Cripta dei Cappuccini

A cripta é dividida em 5 capelas, uma seguida da outra ao longo de um corredor, decoradas com caveiras e ossos de freis. Meninas, se visitarem o local no verão, lembre de levar um lenço para cobrir o ombro, pois é proibido entrar com ombros de fora, decote ou sair curta. Meninos, não usem manga cavada, short e chinelo, melhor uma calça + tenis. Fica dentro da igreja Santa Maria della Concezione dei Cappuccini, na Via Veneto, 27.

2. Piazza Barberini

Desça a avenida até a Piazza Barberini. No meio da fonte tem uma escultura linda do Bernini (artista barroco, o mesmo da Fontana di Trevi). Se você já está com fome, lembre-se da dica do lanchinho que a gente falou no outro post!

Ali perto, voltando pela avenida onde estava a cripta (Via Veneto) você encontra ponto de ônibus (Fermata Barberini). Pegue o número 116 para o Castelo Sant’Angelo.

3. Campo di Fiori

De segunda a sábado acontece uma feira onde é possível encontrar condimentos, queijos, massa caseira e outras especialidades dos agricultores locais. No meio da praça existe uma estátua em homenagem à Giordano Bruno, filósofo condenado pela inquisição em 1600 pelos seus estudos que incluíram idéias sobre a relatividade e princípios da teoria da evolução.

 4. Doce italiano: Padaria Il Fornaio

 O lugar oferece várias opções de doces artesanais de diferentes origens da Itália e também panini (sanduiches), sendo que o mais famoso é o sanduiche de mortadela. É um ótimo lugar para tomar café da manhã ou comer um docinho no meio do dia, já que tem opções para todos os gostos. A sensação é de entrar na casa da nonna do Willy Wonka. Fica na Via de Baullari, 5-7.

5. Piazza Navona

A Piazza Navona foi construída no formato de estádio.  Era usada para diversos fins, como apresentações de teatro, corridas de cavalo e até para simulações de batalhas navais. No meio da Piazza você encontra a bela Fontana dei Quattro Fiumi, feita por Bernini (escultor barroco) no século 17. É também nessa Piazza que você encontra a embaixada brasileira.

Piazza Navona

Piazza Navona – Foto do Humberto Hirochi

6. Castello Sant’Angelo

A estrutura original do castelo é de 139 d.c, mas ele foi reformado diversas vezes. Já serviu como mausoléu, fortaleza militar, fortaleza do Papa e prisão. Hoje é um museu que abriga objetos que contam a história do lugar e das pessoas desde sua fundação. A vista do terraço é muito legal, é possível ver parte do Vaticano.

Vista do Castelo Sant'Angelo

Vista do Castelo Sant’Angelo

Castelo Sant'Angelo

Castelo Sant’Angelo

Atenção também à ponte em frente ao castelo. As estátuas dos anjos ao longo da ponte foram criadas por Raffello (aluno de Michelangelo) no século 16.

7. Gelateria del Teatro (o melhor sorvete do mundo)

Eu considero essa sorveteria a melhor do mundo! Ela fica em um lugar super charmoso e escondidinho,  legal tanto para aproveitar com a galera quanto para um encontro romântico. Fica na Via di San Simone, 70.

8. Trastevere

É um bairro super charmoso, com vielas estreitas, pequenas galerias de arte e barzinhos. O bairro também tem muitos restaurantes bons, com pratos típicos Romano. Um ótimo restaurante, e também acessível, é o Roma Sparita.

9. Roma Sparita

Atualmente é o meu restaurante favorito em Roma. Tem cara de restaurante de família, a comida é saborosa e com preço acessível. O principal prato é o Cacio e Pepe, um macarrão com queijo típico da região (Cacio) e pimenta do reino (Pepe), numa casquinha de parmesão. O prato custa €13.00. Se você só ficar no prato principal mesmo, não vai gastar muito.

É melhor fazer a reserva antes, por que o lugar sempre está lotado.

Vai para Roma? Dá uma olhada no roteiro do dia 1 e outras dicas de viajante:

1. 10 Dicas de viagem para Roma

2. Roteiro de 3 dias em Roma – Dia 1 no Centro

3 . Café da manhã em Roma: Comer como os italianos

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Edifício Kavanagh, uma história de amor sem final feliz

Muitas vezes vemos uma paisagem, uma construção e não imaginamos quanta história se esconde ali.

O Levo na Mochila  começa hoje uma nova série de posts, onde vamos contar pequenas curiosidades de lugares do mundo, uma história ou não, um fato engraçado ou não, que se passou com a gente ou não.

Vamos falar daquela fonte que conta história das batalhas navais da Roma antiga, do prédio que você talvez não repare nada de diferente, mas guarda uma história de amor que não terminou muito feliz em Buenos Aires, ou aqueles sapatinhos do Danúbio em Budapeste, que diabos fazem ali?

Então aí vai o nosso primeiro post da série “Sem Nome” e aceitamos a ajuda de todos vocês para dar um nome criativo pra ela :)

Edificio kavanagh, Buenos Aires, Argentina

Edíficio Kavanagh, Buenos Aires: Quem passa pelo edifício Kavanagh, seus 31 andares e 15 elevadores, em frente a praça San Martín em Buenos Aires se impressiona por sua imponência, mas o que os passantes desavisados não imaginam são as motivações que levaram o edifício a ser construído em 1936.

Corina Kanavagh, uma rica jovem de família sem tradição em Buenos Aires, se apaixonou por um rapaz da rica e tradicional família Anchorena, que não aceitava a relação e fizeram com que o relacionamento acabasse. Corina  se vingou construindo o edifício Kavanagh com o objetivo de esconder a Basílica do Santíssimo Sacramento, templo construído em 1920 pelos Anchorena e que seria usado como sepulcro da família. Os Anchorena que antes podiam ver a igreja das janelas de seu palácio do outro lado da praça,  perderam totalmente sua vista.

Repare na foto como a basílica praticamente desapareceu atrás do Kavanagh.

 Imagina como os Anchorena ficaram felizes.

Quer visitar o Edifício Kavanagh?

Localize-se no maps: http://goo.gl/maps/IFiEs

O filme argentino Medianeras conta essa história, mas só achei o vídeo em espanhol.

Foto por Danyelle Fioravanti

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Meu passaporte confidente de viagens

Meu passaporte confidente

Meu passaporte confidente

Meu passaporte me acompanhou em visitas únicas e inesquecíveis aos Estados Unidos, Japão, Portugal, Alemanha, Letônia e Cingapura, além de muitas idas e vindas à Inglaterra, Itália, França, Espanha, e Hungria. Muitas vezes, ele era o meu único companheiro, aquele que estava lá registrando não só um carimbo no papel, mas a concretização do sonho de finalmente conhecer lugares que antes eu só podia ler à respeito.

Meu (agora) antigo passaporte estava para expirar em Junho desse ano, mas em Abril vou começar uma série de viagens (que vou contar melhor para vocês em breve!), então, precisava renovar urgente. Fui à Polícia Federal renová-lo pela terceira vez. Documentos em mãos, maquiagem pronta (por que me recuso a ficar com cara de coxinha na foto do passaporte pelos próximos cinco anos viajando pelo mundo!) e tudo dentro do horário.

Na hora da entrega do passaporte antigo para o cancelamento, bateu saudades, fiquei nostálgica. Foram muitas horas de vôos, línguas aprendidas, amigos pelo caminho, comidas deliciosas e histórias que me fizeram refletir sobre o ser humano de uma forma geral. Além de tudo isso, conheci meu futuro marido nessa vida de viajante (e ele também, apaixonado por viagens). Me tornei alguém muito mais questionadora, passei perrengues, sofri preconceito em alguns lugares por ser brasileira, mas também fui muito bem recebida por aqueles que entendem as diferenças culturais. No Japão encontrei minhas origens e minha família; em Londres terminei um mestrado na minha área profissional, e a cidade também abrigou a minha história de amor. A cada pessoa que eu conversava, uma nova perspectiva era apresentada. Não concordei com todos, mas questionei muito, eu mudei muito. Viajar fez isso comigo, e aquele passaporte é o único que confidenciou cada pequena mudança que me trouxe até aqui.

Tokio

Tokio – Japão

Londres

Londres – Inglaterra

Roma

Roma, Itália – com Gigi e Hirochi

Madrid

Madrid – Espanha

Windsor

Windsor – Inglaterra

Florença

Florença, Itália, com o Marco, amor e companheiro de viagens.

Veneza

Veneza – Itália

Paris

Paris – França

Lisboa

Lisboa – Portugal

Cingapura

Cingapura

Berlin

Berlin – Alemanha

Barcelona - Espanha

Barcelona – Espanha

Cannes

Cannes – França

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Mochilão América do Sul: A Mendoza com segundas intenções

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul2

Não dá para negar as minhas segundas intenções com Mendoza, cheguei à cidade e duas ideinhas habitavam a minha cabeça: ver neve pela primeira vez na vida e beber vinho.

Minha passagem por lá foi um pouco diferente, pois tinha companhia de viagem. Encontrei  um amigo chileno que conheci em um hostel quando fui ao Rock in Rio.  Adoro as conexões que fazemos em viagem :) Conhecemos a cidade juntos e depois cruzamos o o Paso Libertadores rumo ao Chile (assunto para o próximo post).

Mendoza de cara me surpreendeu por ser a cidade mais calorosa e de clima seco que visitei na Argentina. Em pleno inverno e eu tirando o casaco, onde esperava sentir mais frio.

Bastante turística e charmosa nos rendeu bons passeios e sonhos realizados.

Parque San Martín

Um parque gigante que abriga até  universidades, zoológico e clube de regatas em seu interior. Árvores imponentes e folhas secas no chão dão todo um charme ao parque. Eu, que não sabia para onde olhar, fiquei tonta de rodar vendo as copas das árvores.

Logo na entrada perguntei no posto de informação turística como chegar ao Cerro de La Glória, que sabia estar dentro do parque e pela primeira vez fui super mal atendida em um posto de informação turística na Argentina. A atendente me disse que a única maneira de chegar até lá era pagando um ônibus turístico e que não tinha horário para sair. Me disse ainda que era impossível chegar andando, pois estava distante, há 3km. Ah tá! Lá fui eu, caminhando para o Cerro de la Glória, mais a subida até o topo. Foi cansativo e meu joelho começava a apresentar sinais de que seria o motivo da minha próxima visita a uma clínica no exterior. Ainda assim, a caminhada pelo parque e vista de cima do cerro valeram a pena.

Quando desci descobri que passavam ônibus coletivos a todo momento e que custavam algo em torno de 2 pesos, apenas. Não sei que caminho fiz que não vi eles na ida.  Deu vontade de voltar até a moça para agradecer a informação corretíssima que ela me deu, só que não.

Parque San Martín - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Vista Cerro de la Gloria - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul1

Tour do Vinho

Fizemos um tour pela vinícolas mendozinas de bicicleta. Não sei como isso deu certo, já não tenho talento para bicicleta, imagina tomando vinhos e mais focada na beleza da paisagem do que em me equilibrar em cima da bicicleta. As plantações de uva estavam secas e cercavam todo o caminho, no horizonte avistávamos as montanhas nevadas, o clima estava perfeito, sol e brisa fria.

Estivemos em vinícolas orgânicas,  familiares e industriais. Provamos diferente sabores, entendemos como degustar e conhecemos todo o processo de fabricação. Um tour que ficou na memória e no paladar.

Vinícolas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Vinícolas1 - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Bicicletas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Visita ao Aconcágua

Muitos turistas buscam pelas pistas de esqui ao visitar Mendoza, a ideia não me atraiu. Os preços não são muito convidativos, ainda que mais baratos que no Chile, pelo que ouvi dizer. Eu estava feliz só com a ideia de ver neve e poder me jogar nela, escorregar, enfim me sentir uma verdadeira criança.

Com um tour organizado pelo hostel lá fomos nós ao mirador daquele que é o monte com o pico mais alto de toda a América, o Aconcágua. O passeio na verdade decepcionou um pouco, da estrada se vê muito melhor a diferença do Aconcágua para os outros picos da Cordilheira dos Andes.

A paisagem de montes nevados, com um sozinho ao fundo que derretia um pouco da neve, era belíssima. Também esperávamos ver mais neve, mas nos divertimos bastante com a neve já úmida que sobrevivia ao sol mendozino. Realizei o sonho de ver neve, não dá pra reclamar.

Neve - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Cordilheira dos Andes - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul1

Cordilheira dos Andes - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Toda a cidade tem uma atmosfera especial. Como estive lá no final de semana, vi muita movimentação pelas ruas, eventos nas praças. E como tem praças por lá. A praça principal, a Plaza Independência, tem quatro praças equidistantes, as Plazas Chile, San Martín, Itália e Espanha. Adorei a simetria.

Se quiser uma boa dica para comer, que não costuma ser muito barato por lá, fica a dica do Caro Pepe, um “coma a vontade” ou como é conhecido em espanhol “tenedor libre”. Pagamos algo em torno de 70 ARS (+/- 35 reais) e comemos muito, muito mesmo. Com variedade de carnes e massas. O que mais gostei foi um crepe flambado, recheado de doce de leite com sorvete de doce de leite. Passei dias falando desse crepe.

Sobremesa Caro Pepe - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Ruas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Depois de Mendoza, chegava a hora de me despedir da Argentina e conhecer as terras chilenas.

Esse post faz parte da série Mochilão América do Sul.

Confira aqui as publicações anteriores:

1. A decisão de viajar sozinha e de mochila

2. Planejar e Cruzar fronteira

3. Buenos Aires, querida e louca!

4. Córdoba, serras e um abraço do Che

Fotos por Danyelle Fioravanti

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