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Mochilão América do Sul: Cruzar a cordilheira e encontrar Santiago

Uma cidade e uma Cordilheira. Vista do Cerro Santa Lucia, no centro de Santiago.

Uma cidade e uma Cordilheira. Vista do Cerro Santa Lucia, no centro de Santiago.

Cruzando o Paso Libertadores

As fronteiras chilenas foram as mais burocráticas que cruzei pelo caminho. Ao longo da viagem conheci três das portas de entrada e saída do país: O Paso Libertadores entre Argentina-Chile na região central de Santiago; O Paso de Jama entre Bolívia e Chile na região do Atacama e o Paso Chacalluta entre Chile e Peru na região de Arica.

A Cordilheira dos Andes protege todo o país de grande parte das pragas agrícolas que existem em outras regiões da América do Sul, o que faz com que o Chile seja criterioso em suas fronteiras. Todas as malas são realmente fiscalizadas por máquinas de raio x, guardas e cachorros. E todas as pessoas revistadas. O que deveria acontecer na fronteira de qualquer país, mas…

No Paso Libertadores, minha primeira entrada no país, demoramos cerca de três horas para passar pela fronteira, o que atrasou bastante a viagem e fez com que chegássemos aos magníficos caracóis formados pela estrada que cruza os Andes do lado chileno na parte da noite. Uma pena e um motivo para cruzá-lo outra vez. Dizem que é algo impressionante de ser ver.

Chegando a Santiago

A viagem de Mendoza a Santiago que costuma demorar cerca de seis horas, demorou nove e enfim, chegamos a esperada Santiago. Eu ainda não tinha grandes planos para o Chile, queria ver alguns amigos, passar pelo Atacama e quem sabe ir ao Sul. Sabia que o país seria o mais caro da viagem, então não planejava passar muito tempo por lá. Mas, logo o país mostrou que não seria tão fácil deixá-lo.

Lugares para me hospedar não foram problema por lá, fui convidada por dois amigos que conheci em viagens a ficar em suas casas e primeiramente fui recebida pela família de um deles. Recepção mais calorosa e simpática, impossível.

Um repouso inesperado

Eu estava com aquela dorzinha no joelho que começou em Mendoza (que já não era tão dorzinha assim) e, tive que recorrer ao meu seguro viagem pela segunda vez, logo na chegada ao Chile. A visita a uma das melhores clínicas de Santiago (santo seguro!), me rendeu uma recomendação de cinco dias de repouso, dos quais só obedeci dois, além de remédios, compressas de gelo e uso de tensores.

O que parecia ser um azar de viagem se mostrou uma grande oportunidade de conviver de pertinho com uma das família mais queridas que já conheci. Até café da manhã na cama a mãe do meu amigo levou, no almoço escutava histórias de todo o Chile contados pelo pai da família. Provei pisco souer preparado por chileno, mas alá peruana, cervejas típicas do sul do Chile, vinho chileno (se cortou ou não o efeito do anti-inflamatório que eu estava tomando para o joelho, não sei), além de deliciosos pratos típicos, como os Porotos con rienda, um delicioso prato de feijão branco com talharim. Imagina se não fiquei super mal acostumada. Para mim os Gutiérrez  se tornaram a minha família chilena, morro de saudades deles e espero vê-los logo.

Mimo sem igual. Mamãe chilena pra sempre no <3

Mimo sem igual. Mamita chilena pra sempre no <3

Conhecendo a cidade pra valer

Mas, havia uma cidade lá fora me esperando e passado os dias de repouso, comecei a explorar Santiago. Apesar de cidade grande, a capital chilena me pareceu organizada e limpa, com problemas que toda cidade grande tem, mas comparado com Buenos Aires, São Paulo, Lima e La Paz, acredito que problemas como trânsito, sujeira e violência se apresentem menores por lá. Isso não é um dado estatístico, é só uma percepção e se você perguntar para um chileno, capaz que descordem de mim. Eles são bem críticos. Um problema grave por lá é a poluição, como a cidade é cercada pela Cordilheira dos Andes, quando não chove a poluição dos carros e fábricas se concentram e formam o chamado smog, uma grossa camada de poluição que deixam os céus de Santiago cinzentos e o ar impróprio.

A vida cultural e noturna da cidade é animada. Os chilenos são bons para o carrete, como eles chamam as festas (carretear é sair para festas/baladas). O bairro mais famoso da noite é o Bairro Bellavista, mas existem outras boas opções para quem gosta de um bom bar para jogar conversa, como a Plaza Ñuñoa, Providencia e Santiago Centro. Em Vitacura estão as baladas mais cuicas, termo utilizado no Chile para classificar o que é de classe alta, mais esnobe. Adoro os chilenismos, por essas e outras que muitos dizem que no Chile se fala chileno e não espanhol.

Meus bares preferidos estão no centro, região mais diversa da cidade. O La Piojera é um dos bares mais tradicionais, dizem que é o monumento aos sentimentos da nação, pois muita gente já riu, chorou e se apaixonou por lá. Merece uma visita. Prove o típico drink chileno preparado em série por lá, o Terremoto, cujos ingredientes são vinho branco, fernet (ou groselha) e sorvete de abacaxi. Acredite quando um chileno te disser para tomar só um. Eu cai na besteira de aceitar a réplica, um copinho menor que geralmente se toma depois do primeiro e ainda provar o Maremoto (mesma receita, mas com licor de menta no lugar do fernet).  O resultado foi um tremendo terremoto na minha cabeça no dia seguinte.

Outro bar que entrou na minha listinha de melhores foi o The Clinic, algo diferente de tudo que já vi, um bar digamos político. Bar político? É, prometo explicar direitinho, mas em outro post, porque esse bar rende história.

La Piojera, dizem que se chama assim, porque antigamente quando era um restaurante foi visitado por um presidente chileno que se referiu ao lugar como La Piojeira (isso mesmo de piolho), por ser um lugar frequantado pela classe baixa, principalmente por obreiros.

La Piojera. Dizem que o bar se chama assim, porque há muitos anos, quando era um restaurante foi visitado por um presidente chileno que se referiu ao lugar como La Piojera (isso mesmo de piolho), por ser um lugar frequentado pela classe baixa, principalmente por obreiros.

Terremotos La Piojeira - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Terremotos sendo produzidos em série em La Piojera.

E não vá pensando que só conheci bares por lá não, nos dez dias que passei na cidade entre idas e vindas (sempre dava um jeitinho de passar por Santiago outra vez), andei muito por suas ruas, praças, parques, cerros, museus, centro culturais. Destaco as visitas ao Cerro Santa Lucía no coração da cidade; o Centro Cultural Gabriela Mistral, um complexo cultural gigantesco, com exposições, teatro, música, biblioteca; e o Museu da Memória e dos Direitos Humanos que relembra histórias da ditadura militar no Chile e na América Latina, o museu está super bem montado e interativo, vale a visita pelo assunto e pela estrutura.

Ai, tanta coisa pra falar de Santiago, fica difícil resumir em um post. Nem preciso dizer que depois de ser conquistada pela cidade não consegui evitar conhecer mais do Chile do que o planejado.

E lá fui eu para as frias e maravilhosas regiões do rios e do lagos no sul do Chile, visitar vulcões inativos e ativos, alimentar lobos marinhos, comer deliciosos pratos de salmão, visitar cervejarias e namorar o rio Calle Calle. Se animou? Então, não perde os próximos posts da série Mochilão América do Sul, toda quarta-feira aqui no Levo na Mochila ;)

Plaza de Armas - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Monumento aos povos indígenas na Praça de Armas.

Palacio de la Moneda - Santiago - Chile

Palácio de la Moneda, sede da presidência da República Chilena.

Fuente Alemanda - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Fonte Alemã. Presente alemão aos chilenos.

Banheiros Centro de Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Algo que me surpreendeu por lá foram esses banheiros pelo centro. Você desce de escada, tendo elevadores para acessos às pessoas com deficiência, paga algo em torno de um real e usa o banheiro super higiênico. A descarga é acionada com uma alavanca pelos pés. Podia ter desse em São Paulo, né?

Vendedor de Cataventos - Santiago - Chile

Vendedor de Cataventos pelas ruas de Ñuñoa.

Museu da memória e dos direitos humanos - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Museu da memória e dos direitos humanos. Uma lembrança da época de ditaduras militar.

Cerro San Cristobán - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Subindo o Cerro San Cristobán.

Bairro Paris-Londres - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Caminhando pelo charmoso bairro Paris-Londres.

Calle Los Jasmines - Santiago - Chile - Mochilão América do Sul

Los Jasmines, endereço que guardo grande saudade.

Confere o post anterior de série aqui: A Mendoza com segundas intenções

Fotos por Danyelle Fioravanti e Rodrigo Gutiérrez

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10 lugares para conhecer em Morro de São Paulo – Bahia

Fui para Morro de São Paulo, na Bahia, no ano novo de 2012, viajando com o meu namorado. A paisagem ainda parece intocada pelo homem, as pessoas são educadas e atenciosas e a comida deliciosa, com preço acessível. Se você gosta de uma viagem para relaxar e entrar em contato com a Natureza, esse é um lugar perfeito.

Morro de São Paulo - Segunda Praia

Morro de São Paulo – Segunda Praia

Acabei não aproveitando muitas opções que o lugar oferece, devido ao tempo que eu fiquei (3 dias só!) e ao período que fomos. Sei que as baleias Jubarte aparecem por lá e fazer um show de coreografia entre Julho e Outubro, mas não foi dessa vez que conseguimos ver. Enfim, vamos voltar um dia, por que Morro de São Paulo é apaixonante.

De qualquer forma, vou colocar aqui algumas dicas rápidas de expriências que tivemos e que vocês não podem deixar de ter.

1. Mergulhar em piscinas naturais no meio do mar. Assim do nada, no meio do mar, você encontra esse paraíso: águas cristalinas, até a cintura, onde você pode mergulhar e observar os peixes nos corais.

Piscina no meio do mar

Piscina no meio do mar

2. Visitar o Museu dos Ossos do Tavinho, em Boipeba. O Tavinho é uma figurassa! Um cara super divertido que começou a colecionar ossos e com o tempo montou um museu onde você encontra de tudo um pouco: insetos, tartarugas, aves, etc. O mais legal de visitar o lugar é passar um tempo conversando com ele sobre as mudanças do vilarejo, os naufrágios e outras histórias da região.

Tavinho, dono do Museo do Osso

Tavinho, dono do Museo do Osso

Dentro do Museu do Osso

Dentro do Museu do Osso

3. Lagosta do Guido, em Boipeba. Não é em qualquer lugar que você pode comer uma lagosta pescada e preparada na hora, com um temperinho agridoce de abacaxi,  aproveitando a vista de uma das praias mais bonitas do Brasil, com o pé na areia. O prato da lagosta custa R$35.00.

Lagosta em Boipeba

Lagosta em Boipeba

4. Restaurante flutuante em Boipeba. Os restaurantes flutuantes são bem simples, mas oferecem ostra fresca, tirada no mar na hora, por R$15,00 a porção com 12.

Restaurante flutuante - Retirando as ostras da água

Restaurante flutuante – Retirando as ostras da água

Vista de cima do restaurante flutuante

Vista de cima do restaurante flutuante

5. Assistir o pôr-do-sol do Forte do Morro, na primeira praia.

Pôr-do-Sol visto do Farol, Morro de São Paulo, Bahia

Pôr-do-Sol visto do Farol, Morro de São Paulo, Bahia

6. Comprar artesanato local. Fiquei encantada com o anel e pulseira de coco, feitos por artesãos locais. São lindos e baratos, paguei R$10 em cada um. (Depois vi em uma loja em São Paulo por R$100,00 a pulseira, e duvido que o lucro vá para o artesão).

7. Tomar caipirinha de cacau com siriguela. À noite várias barraquinhas de caipirinha são montadas pelo centro de Morro de São Paulo. Tem caipirinha de tudo e todas as combinações de frutas locais: Siriguela, Cajá e Cacau são muito boas. As que tem combinação com cacau vêm dentro da própria fruta, você não precisa usar copinho plástico!

Caipirinha no centro de Morro de São Paulo

Caipirinha no centro de Morro de São Paulo

8. Visitar Cairu, a primeira cidade do Brasil. Há controvérsias em relação ao município ser ou não a primeira cidade do Brasil, mas com certeza você consegue ver e entender o Brasil do primeiro século de descobrimento lá. Atenção às casas com Eira e sem Beira e a Igreja de Santo Antônio (já falamos disso aqui, lembra?).

Azulejo português na Igreja de Santo Antônio, Cairu -Bahia

Azulejo português na Igreja de Santo Antônio, Cairu -Bahia

9. Praia de Gamboa: É uma praia calma, onde fica Clube de Vela e o banho de argila rosa. No Clube de Vela tem aulas para quem nunca velejou, e se você já tem a habilitação, pode alugar um barco. O restaurante do lugar tem o melhor camarão que eu já comi na vida: Camarão à Samambaia, empanado com coco fresco.

Banho de argila rosa

Banho de argila rosa na Praia de Gamboa

Camarão à samambaia - Praia de Gamboa

Camarão à samambaia – Praia de Gamboa

10. Curtir a noite na segunda praia. É a praia com a vida noturna mais movimentada de Morro de São Paulo. Tem banda ao vivo, sanfoneiros e de tudo um pouco para curtir a noite sem gastar muito. Achei os restaurantes um pouco caros nessa praia, então acho melhor comer na terceira praia (tem restaurantes muito bons e baratos lá).

Você já foi para Morro de São Paulo e tem experiências para compartilhar? Manda pra a gente no levonamochila@gmail.com ou pelo Instagram com #levonamochila.

Fotos por Fabi Kanamaro

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Roteiro de 3 dias em Roma: Dia 2 – Gastronomia e Arte

O segundo dia em Roma é de arte e gastronomia, que começa com uma Cripta de freis e termina com um delicioso jantar romano.

Os três lugares gourmet nesse roteiro são para o  mochileiro aproveitar a culinária Italiana dentro do budget. Em Roma você vai encontrar só um pouquinho do que é a gastronomia da Itália, mas aproveita por que é único!

1. Catacumba Cripta dei Cappuccini

A cripta é dividida em 5 capelas, uma seguida da outra ao longo de um corredor, decoradas com caveiras e ossos de freis. Meninas, se visitarem o local no verão, lembre de levar um lenço para cobrir o ombro, pois é proibido entrar com ombros de fora, decote ou sair curta. Meninos, não usem manga cavada, short e chinelo, melhor uma calça + tenis. Fica dentro da igreja Santa Maria della Concezione dei Cappuccini, na Via Veneto, 27.

2. Piazza Barberini

Desça a avenida até a Piazza Barberini. No meio da fonte tem uma escultura linda do Bernini (artista barroco, o mesmo da Fontana di Trevi). Se você já está com fome, lembre-se da dica do lanchinho que a gente falou no outro post!

Ali perto, voltando pela avenida onde estava a cripta (Via Veneto) você encontra ponto de ônibus (Fermata Barberini). Pegue o número 116 para o Castelo Sant’Angelo.

3. Campo di Fiori

De segunda a sábado acontece uma feira onde é possível encontrar condimentos, queijos, massa caseira e outras especialidades dos agricultores locais. No meio da praça existe uma estátua em homenagem à Giordano Bruno, filósofo condenado pela inquisição em 1600 pelos seus estudos que incluíram idéias sobre a relatividade e princípios da teoria da evolução.

 4. Doce italiano: Padaria Il Fornaio

 O lugar oferece várias opções de doces artesanais de diferentes origens da Itália e também panini (sanduiches), sendo que o mais famoso é o sanduiche de mortadela. É um ótimo lugar para tomar café da manhã ou comer um docinho no meio do dia, já que tem opções para todos os gostos. A sensação é de entrar na casa da nonna do Willy Wonka. Fica na Via de Baullari, 5-7.

5. Piazza Navona

A Piazza Navona foi construída no formato de estádio.  Era usada para diversos fins, como apresentações de teatro, corridas de cavalo e até para simulações de batalhas navais. No meio da Piazza você encontra a bela Fontana dei Quattro Fiumi, feita por Bernini (escultor barroco) no século 17. É também nessa Piazza que você encontra a embaixada brasileira.

Piazza Navona

Piazza Navona – Foto do Humberto Hirochi

6. Castello Sant’Angelo

A estrutura original do castelo é de 139 d.c, mas ele foi reformado diversas vezes. Já serviu como mausoléu, fortaleza militar, fortaleza do Papa e prisão. Hoje é um museu que abriga objetos que contam a história do lugar e das pessoas desde sua fundação. A vista do terraço é muito legal, é possível ver parte do Vaticano.

Vista do Castelo Sant'Angelo

Vista do Castelo Sant’Angelo

Castelo Sant'Angelo

Castelo Sant’Angelo

Atenção também à ponte em frente ao castelo. As estátuas dos anjos ao longo da ponte foram criadas por Raffello (aluno de Michelangelo) no século 16.

7. Gelateria del Teatro (o melhor sorvete do mundo)

Eu considero essa sorveteria a melhor do mundo! Ela fica em um lugar super charmoso e escondidinho,  legal tanto para aproveitar com a galera quanto para um encontro romântico. Fica na Via di San Simone, 70.

8. Trastevere

É um bairro super charmoso, com vielas estreitas, pequenas galerias de arte e barzinhos. O bairro também tem muitos restaurantes bons, com pratos típicos Romano. Um ótimo restaurante, e também acessível, é o Roma Sparita.

9. Roma Sparita

Atualmente é o meu restaurante favorito em Roma. Tem cara de restaurante de família, a comida é saborosa e com preço acessível. O principal prato é o Cacio e Pepe, um macarrão com queijo típico da região (Cacio) e pimenta do reino (Pepe), numa casquinha de parmesão. O prato custa €13.00. Se você só ficar no prato principal mesmo, não vai gastar muito.

É melhor fazer a reserva antes, por que o lugar sempre está lotado.

Vai para Roma? Dá uma olhada no roteiro do dia 1 e outras dicas de viajante:

1. 10 Dicas de viagem para Roma

2. Roteiro de 3 dias em Roma – Dia 1 no Centro

3 . Café da manhã em Roma: Comer como os italianos

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Edifício Kavanagh, uma história de amor sem final feliz

Muitas vezes vemos uma paisagem, uma construção e não imaginamos quanta história se esconde ali.

O Levo na Mochila  começa hoje uma nova série de posts, onde vamos contar pequenas curiosidades de lugares do mundo, uma história ou não, um fato engraçado ou não, que se passou com a gente ou não.

Vamos falar daquela fonte que conta história das batalhas navais da Roma antiga, do prédio que você talvez não repare nada de diferente, mas guarda uma história de amor que não terminou muito feliz em Buenos Aires, ou aqueles sapatinhos do Danúbio em Budapeste, que diabos fazem ali?

Então aí vai o nosso primeiro post da série “Sem Nome” e aceitamos a ajuda de todos vocês para dar um nome criativo pra ela :)

Edificio kavanagh, Buenos Aires, Argentina

Edíficio Kavanagh, Buenos Aires: Quem passa pelo edifício Kavanagh, seus 31 andares e 15 elevadores, em frente a praça San Martín em Buenos Aires se impressiona por sua imponência, mas o que os passantes desavisados não imaginam são as motivações que levaram o edifício a ser construído em 1936.

Corina Kanavagh, uma rica jovem de família sem tradição em Buenos Aires, se apaixonou por um rapaz da rica e tradicional família Anchorena, que não aceitava a relação e fizeram com que o relacionamento acabasse. Corina  se vingou construindo o edifício Kavanagh com o objetivo de esconder a Basílica do Santíssimo Sacramento, templo construído em 1920 pelos Anchorena e que seria usado como sepulcro da família. Os Anchorena que antes podiam ver a igreja das janelas de seu palácio do outro lado da praça,  perderam totalmente sua vista.

Repare na foto como a basílica praticamente desapareceu atrás do Kavanagh.

 Imagina como os Anchorena ficaram felizes.

Quer visitar o Edifício Kavanagh?

Localize-se no maps: http://goo.gl/maps/IFiEs

O filme argentino Medianeras conta essa história, mas só achei o vídeo em espanhol.

Foto por Danyelle Fioravanti

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Mochilão América do Sul: A Mendoza com segundas intenções

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul2

Não dá para negar as minhas segundas intenções com Mendoza, cheguei à cidade e duas ideinhas habitavam a minha cabeça: ver neve pela primeira vez na vida e beber vinho.

Minha passagem por lá foi um pouco diferente, pois tinha companhia de viagem. Encontrei  um amigo chileno que conheci em um hostel quando fui ao Rock in Rio.  Adoro as conexões que fazemos em viagem :) Conhecemos a cidade juntos e depois cruzamos o o Paso Libertadores rumo ao Chile (assunto para o próximo post).

Mendoza de cara me surpreendeu por ser a cidade mais calorosa e de clima seco que visitei na Argentina. Em pleno inverno e eu tirando o casaco, onde esperava sentir mais frio.

Bastante turística e charmosa nos rendeu bons passeios e sonhos realizados.

Parque San Martín

Um parque gigante que abriga até  universidades, zoológico e clube de regatas em seu interior. Árvores imponentes e folhas secas no chão dão todo um charme ao parque. Eu, que não sabia para onde olhar, fiquei tonta de rodar vendo as copas das árvores.

Logo na entrada perguntei no posto de informação turística como chegar ao Cerro de La Glória, que sabia estar dentro do parque e pela primeira vez fui super mal atendida em um posto de informação turística na Argentina. A atendente me disse que a única maneira de chegar até lá era pagando um ônibus turístico e que não tinha horário para sair. Me disse ainda que era impossível chegar andando, pois estava distante, há 3km. Ah tá! Lá fui eu, caminhando para o Cerro de la Glória, mais a subida até o topo. Foi cansativo e meu joelho começava a apresentar sinais de que seria o motivo da minha próxima visita a uma clínica no exterior. Ainda assim, a caminhada pelo parque e vista de cima do cerro valeram a pena.

Quando desci descobri que passavam ônibus coletivos a todo momento e que custavam algo em torno de 2 pesos, apenas. Não sei que caminho fiz que não vi eles na ida.  Deu vontade de voltar até a moça para agradecer a informação corretíssima que ela me deu, só que não.

Parque San Martín - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Vista Cerro de la Gloria - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul1

Tour do Vinho

Fizemos um tour pela vinícolas mendozinas de bicicleta. Não sei como isso deu certo, já não tenho talento para bicicleta, imagina tomando vinhos e mais focada na beleza da paisagem do que em me equilibrar em cima da bicicleta. As plantações de uva estavam secas e cercavam todo o caminho, no horizonte avistávamos as montanhas nevadas, o clima estava perfeito, sol e brisa fria.

Estivemos em vinícolas orgânicas,  familiares e industriais. Provamos diferente sabores, entendemos como degustar e conhecemos todo o processo de fabricação. Um tour que ficou na memória e no paladar.

Vinícolas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Vinícolas1 - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Bicicletas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Visita ao Aconcágua

Muitos turistas buscam pelas pistas de esqui ao visitar Mendoza, a ideia não me atraiu. Os preços não são muito convidativos, ainda que mais baratos que no Chile, pelo que ouvi dizer. Eu estava feliz só com a ideia de ver neve e poder me jogar nela, escorregar, enfim me sentir uma verdadeira criança.

Com um tour organizado pelo hostel lá fomos nós ao mirador daquele que é o monte com o pico mais alto de toda a América, o Aconcágua. O passeio na verdade decepcionou um pouco, da estrada se vê muito melhor a diferença do Aconcágua para os outros picos da Cordilheira dos Andes.

A paisagem de montes nevados, com um sozinho ao fundo que derretia um pouco da neve, era belíssima. Também esperávamos ver mais neve, mas nos divertimos bastante com a neve já úmida que sobrevivia ao sol mendozino. Realizei o sonho de ver neve, não dá pra reclamar.

Neve - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Cordilheira dos Andes - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul1

Cordilheira dos Andes - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Toda a cidade tem uma atmosfera especial. Como estive lá no final de semana, vi muita movimentação pelas ruas, eventos nas praças. E como tem praças por lá. A praça principal, a Plaza Independência, tem quatro praças equidistantes, as Plazas Chile, San Martín, Itália e Espanha. Adorei a simetria.

Se quiser uma boa dica para comer, que não costuma ser muito barato por lá, fica a dica do Caro Pepe, um “coma a vontade” ou como é conhecido em espanhol “tenedor libre”. Pagamos algo em torno de 70 ARS (+/- 35 reais) e comemos muito, muito mesmo. Com variedade de carnes e massas. O que mais gostei foi um crepe flambado, recheado de doce de leite com sorvete de doce de leite. Passei dias falando desse crepe.

Sobremesa Caro Pepe - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Ruas - Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Mendoza - Argentina - Mochilão América do Sul

Depois de Mendoza, chegava a hora de me despedir da Argentina e conhecer as terras chilenas.

Esse post faz parte da série Mochilão América do Sul.

Confira aqui as publicações anteriores:

1. A decisão de viajar sozinha e de mochila

2. Planejar e Cruzar fronteira

3. Buenos Aires, querida e louca!

4. Córdoba, serras e um abraço do Che

Fotos por Danyelle Fioravanti

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Roteiro de 3 dias em Roma: Dia 1 no Centro

Tenho feito viagens frequentes a Roma nos últimos dois anos, já que meu namorado mora lá e temos mantido o relacionamento à distância. Nesse tempo, fiz e refiz roteiros com amigos que acabavam passando por lá para uma visitinha, e acabei criando um roteiro meu bem fácil para os viajantes que estão fazendo uma visita curta à cidade, por volta de 3 dias.

Para começar, tenha em mente que a melhor forma de conhecer o centro de Roma é andando. No centro, as distancias são razoáveis, e você sempre pode andar e parar um pouquinho para apreciar a vista enquanto toma um “gelato” ;)

1. Coliseu + Foro Romano (sugiro que comece cedo, umas 9h00)

Os arredores do Coliseu está cheio de guias turísticos tentando te vender algo que você não vai precisar. Eles cobram por volta de €30.00 para fazer o tour do Coleseo + Foro Romano (Ruínas que formam o centro comercial de Roma Antiga), enquanto você pagaria apenas €17.00 para fazer isso sozinho. O ticket comprado no Coliseu já te dá direito à visita no Fórum Romano. Também tem a opção de comprar o Roma Pass em bancas de revista ou pontos turísticos, que dá descontos em museus (se você for visitar muitos, vale a pena).

Após o Coliseu, pegue a Via dei Fori Imperiali. Ao seu lado esquerdo você verá o Foro Romano. É melhor pegar um audio guide para fazer a visita, pois as vezes pode ser um pouco confuso entender onde ficavam as antigas construções.

Seguindo o roteiro do audio guide você subirá uma colina e encontrará uma vista incrível para o Coliseu. É aquele momento que você não em palavras, só um “wow”.

Coliseu

Coliseu

Vista do Foro Romano

Vista do Foro Romano

2. Il Vittoriano

Após uma parada para um lanchinho (mais dicas preciosas nesse outro post), volte à Via dei Fori Imperiali e siga até o final da avenida, onde você encontrará o Monumento a Emanuelle II (o primeiro rei de Roma unificada). Esse monumento é  megalomaníaco, na minha opinião. Na época do seu projeto, o objetivo é que ele fosse visto de toda cidade, e para isso não pouparam nem as ruínas de Roma antiga. Algumas foram destruídas para a sua construção, e reza a lenda que até um pedaço do Coliseu foi retirado para que ele pudesse ser visto . Mas, vale a pena entrar?  O museu é muito legal, com uma coleção de armas antigas bem interessante. A vista do terraço também é linda, mas eu vou te dar uma dica de vista ainda melhor. Então, se for pela vista, desencana. Se for para conhecer o museu, e história da Itália, vai fundo e gaste mais 1 horinha aí!

3. Pantheon

É incrível! Acredita que os caras projetaram aquilo no século 2?

Cúpula do Pantheon

Cúpula do Pantheon

4. Fontana di Trevi

É o meu lugar favorito de Roma até agora. A fonte é magnífica, linda, perfeita! Você se sentirá no filme “La Dolce Vita”, do Fellini. Os romanos dizem que você deve jogar duas moedinhas na fonte: 1 para pedir alguma coisa e a outra para retornar à Roma.

Fontana di Trevi

Gigi e eu na Fontana di Trevi. Foto do Humberto Hirochi.

5. Pausa para um lanchinho

Em volta da Fontana di Trevi tem uma série de bares que vendem panini e pizza, mas não coma por lá. Normalmente é caro, cheio de turista e tumultuado… Os sorvetes desses lugares também não são dos melhores (industrial, cheio de conservante, enquanto você pode achar um artesanal mais pra frente).

Nossa dica: Siga pela Via Poli, atravesse a avenida e ali você encontra alguns bares e pizzarias pequenas e baratas. Aliás, a pizza que comemos estava ótima, e custou 3 euros o pedaço.

Lanchinho numa pizzaria mais afastada da Fontana di Trevi

Lanchinho numa pizzaria mais afastada da Fontana di Trevi

5. Piazza di Spagna

Continue até chegar a Piazza di Spagna. Descanse na escadaria, dê uma olhada em volta. Agora é hora de subir as escadarias para uma vista linda!

Depois, siga pela Piazza della Trinita dei Monti (olhando para a igreja da Piazza di Spagna, caminhe por essa rua à esquerda) e pegue a primeira viela à direita (começa como uma paralela). Siga até chegar à Terrazza del Pincio. A vista é explêndida. Seguindo esse roteiro você provavelmente chegou à esse ponto com o pôr do sol, que está logo atrás da catedral de St.Peters (Vaticano). Aproveita para tirar umas fotos e compartilhar no Instagram com #levonamochila.

Piazza di Spagna

Piazza di Spagna

6. Desça até a Via del Corso e siga pelas lojas. É o mundo da perdição com Sephora, H&M, Gap e tantas outras.

7. Uma outra opção é entrar no parque atrás de você, que é a Villa Borghese. É um dos parques mais lindos de Roma. Existe uma galeria de arte clássica dentro do parque, mas é preciso comprar o bilhete e fazer a reserva antes no site www.rome-museum.com. O preço é €17.50, e não há desconto para estudantes, a não ser que você seja membro da comunidade Européia :( .

Gostaram do primeiro dia em Roma? Conta pra a gente a sua experiência.

Semana que vem tem o segundo dia em Roma: um passeio pela gastronomia e a arte milenar pelas ruas da cidade.

Acompanhe posts da série sobre Roma, dá uma olhada nas nossas dicas anteriores:

1. 10 dicas de viagem para Roma.

2. Café da manhã Italiano em Roma.

3. Gelato em Roma.

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Mochilão América do Sul: Córdoba, serras e um abraço do Che

Parque Sarmiento - Córdoba - Argentina - Mochilão América do Sul

As dez horas de viagem de Buenos Aires a Córdoba não foram das mais fáceis, havia comprado um assento não muito confortável e um senhor um pouco espaçoso sentou ao meu lado, complicando a situação já nada cômoda. Mas, o problema mesmo era lidar com a minha cabeça, que depois de ter encarado ficar doente pela primeira vez fora de casa, estava fraca na missão e em intervalos entre dormir e acordar alimentava pensamentos não muito animadores.

Logo quando cheguei, conheci duas chilenas no hostel que fizeram o convite para irmos a uma feirinha de artes, como era feriado a cidade estava tranquila e repleta de atividades artísticas ao ar livre. Naquele primeiro momento minha impressão era de uma Córdoba colorida, de ritmo suave. Mas, conhecer uma cidade em dias de feriado, não é conhecer uma cidade.

Encontrar as simpáticas Dani e Nicol do Chile me animou bastante, pena que no mesmo dia estavam de regresso ao seu país. Eu não imaginava, mas viria a encontrá-las por lá, algumas semanas depois.

Não sei se minha percepção de Córdoba foi influenciada por como eu me sentia, de alguma maneira sempre é, mas conversando com outros viajantes que ali passavam, vejo que realmente o maior atrativo da cidade não está na própria cidade, se não ao se em torno, em suas serras.

Em Córdoba a maior atração está em sua arquitetura, muitas igrejas, museus, praças, mas a mim só convenceu mesmo a igreja gótica, essa sim foi de dizer uaauuu!

Catedral Gótica

Catedral Gótica

A cidade parecia viver o seu ritmo de trabalho, como qualquer cidade grande, mas me garantiram que o final de semana por lá é animado. Eu, preferi não esperar. Quero voltar um dia e ver se me acarinho mais pela cidade.

Córdoba tem dois terminais de ônibus e do pequeno, bem no coração da cidade saem ônibus às cidades localizadas nas serras, eu tratei de correr a Alta Gracia, onde está o museu A Casa de Che. A cidade parecia fantasma, quase ninguém nas ruas para eu pedir informação, me perdi um bocado, mas finalmente cheguei ao museu. O preço salgado logo me colocou uma cara de desespero, algo em torno de 75 ARS (+/- 40 reais), quase toda minha verba do dia. Acho que o recepcionista percebeu e me perguntou se eu tinha carteirinha de estudante. Eu, muito esperta, tinha esquecido de levar a minha válida até 2013 (santo Senac), mas ainda assim ele fez o preço de estudante. Não chegava a ser a metade, mas já era algum desconto.

Pronto, cruzando as portas do museu começou o chororô.  Não pude evitar, estava frágil e, se não me engano, já na segunda sala  havia uma carta que Che escreveu aos seus pais em sua primeira viagem pela Argentina, com a qual me identifiquei muito.

O museu é uma pequena casa, onde Ernesto Guevara de la Serna, viveu dos seus 6 a 14 anos, por recomendações médicas. Era asmático e o clima seco e puro de Alta Gracia o ajudaria com seus problemas respiratórios. Logo na entrada nos deparamos com uma escultura do pequeno Ernestito sentado na varanda, entramos e simples salas, com seus livros, cartas, objetos, vão contando como cresceu o viajante que viria a se tornar guerrilheiro e marcar a história da América Latina. Independente de concordar ou não com sua luta, é difícil passar ileso por sua história. Há quem consiga?

Eu que pensava que abortaria a missão que tanto tinha sonhado, agora estava ali diante de tantos relatos de coragem , de cartas onde o comandante falava sobre suas motivações para viajar e seus sonhos de mudar o mundo. Me senti abraçada e muito mais forte.

Che também levava na mochila

Che também levava na mochila

O menino Enerstito

O menino Enerstito

Depois do abraço de Che, ainda conheci Carlos Paz, uma charmosa cidade também nas serras de Córdoba, onde estão muitas fábricas de alfajores. Que tentação!

E segui em frente, próxima e última parada na Argentina : Mendoza.

Hasta la victoria siempre!

Muros coloridos de Córdoba

Muros coloridos de Córdoba

Mais arte nos muros de Córdoba

Mais arte nos muros de Córdoba

Entrada para o Link Córdoba Hostel

Entrada para o Link Córdoba Hostel

Dicas úteis:

Link Córdoba Hostel

Um dos melhores hostels que fiquei durante a viagem.  Ambiente agradável, pessoal do staff super simpáticos (um dos donos é um brasileiro), quartos e banheiros limpos. O café da manhã a la argentinos é bem servido, doce de leite, geleias, media lunas…

Então fica a dica para quem vai se hospedar em Córdoba ;)

Este é o quarto post da série Mochilão América do Sul.

Perdeu os anteriores? Confira aqui:

1. A decisão de viajar sozinha e de mochila

2. Planejar e Cruzar fronteira

3. Buenos Aires, querida e louca!

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